A segunda rodada se encerrou e o Azulão terminou na 8ª colocação do campeonato brasileiro da série B, com 3 pontos, três gols marcados e três gols sofridos, saldo de gols zerado e uma colocação "confortável", visto que joga o próximo jogo em casa, diante do Oeste na próxima sexta-feira.
É interessante dizer que a derrota para o São Bento não foi exatamente uma surpresa, há muito equilíbrio nesse confronto e ambos estavam em boas colocações na tabela, a forma como se deu a vitória do São Bento (de virada), foi o que deu um banho de água fria na torcida, que viu o CSA fazer um primeiro tempo absoluto.
Com dois tempos distintos, o Azulão saiu na frente com Michel, mas terminou tomando a virada comandada por Rodolfo, que veio do banco de reservas e resolveu o jogo com uma bela assistência e um gol de pênalti, com atuação de muito destaque do meia. Vamos entender como se deu:
O JOGO
Ao pisar no campo, o Azulão do Mutange viu o São Bento tentar propor o jogo, mas quem comandou as primeiras ações ofensivas foi o CSA, com Niltinho, que aos quatro minutos experimentava o goleiro Rodrigo Viana. Chutou do meio de campo e o goleiro espalma atabalhoado e quase Celsinho completa para as redes.
O CSA continuava apertando, melhor no jogo e seguindo pressionando o São Bento, sendo premiado com o gol aos 19 do primeiro tempo, numa jogada pela direita. Celsinho passa livre sem marcação pelo lado direito, tinha ângulo para chutar, mas rola para Michel ajeitar para a perna esquerda e bater rasteiro, sem chances para Rodrigo Viana, que viu a bola morrer no fundo das redes.
Sem saber o que era atacar, o São Bento só veio finalizar cinco minutos depois, com mais da metade do primeiro tempo decorrido, mas sem sucesso, chutou longe da meta do goleiro Alexandre Cajuru. No lance seguinte Niltinho faz fila e passa por todo mundo do lado direito, podendo chutar no gol, tentou cruzar e não achou Michel na área, mas levando muito perigo.
O São Bento pouco conseguiu criar no primeiro tempo e foi engolido pelo CSA, aos 47 terminou a primeira etapa com o Azulão do Mutange vencendo por 1x0.
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| (Foto: Jesus Vicente/Ascom São Bento) |
O segundo tempo foi do técnico Paulo Roberto corrigir a bobagem que havia feito: Colocar três volantes em campo e engessar toda a criação do time. Tirou Doriva e colocou Walterson, tirou Lucas Crispim e colocou Rodolfo para fazer a função de meia organizador, jogando por trás dos atacantes. A mudança foi o que pesou contra o CSA e a favor do São Bento.
Bastaram sete minutos para o São Bento igualar o placar no Walter Ribeiro, com uma enfiada de bola precisa de Rodolfo, Xandão até tentou fazer a linha de impedimento, mas acabou deixando Zé Roberto entrar cara a cara com Alexandre Cajuru, que foi driblado pelo atacante e tomou o gol. São Bento 1x1 CSA.
A partir daí, a situação se inverteu, o CSA mostrou uma queda de rendimento técnico e físico, com Daniel Costa não conseguindo encontrar os atacantes e pouco criando. Niltinho jogava sozinho no meio por ele e por Daniel que já não conseguia marcar. Com a queda de rendimento e sem um meia com suas características, Marcelo Cabo começou a ver que teria que atacar de todas as formas.
Mas o golpe fatal veio pouco depois do gol de empate, aos 13, quando Everton Silva faz uma jogada de linha de fundo, cruza e a bola explode no cotovelo de Rafinha. Diego Pombo marca o pênalti. Vendo o replay fica claro que é muito discutível e muitos árbitros marcam esse tipo de pênalti, embora na minha visão tenha sido mais bola no braço, e não braço na bola, mas é preciso dizer que dentro da área levar as mãos à frente foi uma infantilidade de Rafinha.
Rodolfo bateu rasteiro e converteu o pênalti, vencendo Cajuru e virando o placar em 2x1 para os donos da casa.
A virada provocou a reação que a torcida gosta de ver (e que em muitas situações dão muito certo), Marcelo Cabo tira Yuri já amarelado, recua Edinho para a zaga, tira Leandro Souza e coloca Taiberson, alinha Daniel e Ferrugem na linha de dois do meio e transforma o jogo quase num 4-2-4, com quatro homens à frente: Niltinho, Hugo Cabral, Michel e Taiberson.
O problema é que com a queda física de Daniel (e sem meia de suas características no banco), a bola não chegava na frente, e o Azulão viu sua primeira derrota na série B na segunda rodada por 2x1, e permanece com três pontos, agora na oitava posição.
Gols: Michel (19'1T) / Zé Roberto (7'2T) e Rodolfo (15'2T)
CSA: Cajuru; Celsinho, Leandro Souza (Taiberson), Xandão e Rafinha; Yuri (Ferrugem), Edinho; Niltinho, Daniel Costa e Didira (Hugo Cabral); Michel Douglas.
São Bento: Rodrigo Viana, Everton Silva, Luizão, João Paulo e Moraes (Paulinho); Fábio Bahia, Dudu Vieira; Doriva (Walterson), Lucas Crispim (Rodolfo) e Everaldo; Zé Roberto.
E AGORA?
Com a vitória na estreia contra o Goiás, a situação do CSA na tabela está confortável até o momento, mas é preciso destacar que a derrota para o São Bento mostrou alguns pontos que são necessários atenção.
O primeiro deles é a crescente de Michel, que vem no segundo jogo consecutivo marcando, e Niltinho vem jogando o fino da bola, reforçando que o problema do CSA está longe de ser o ataque, muito embora tenha sido o maior investimento.
Daniel Costa tem grandes atuações quando seu físico está 100%, mas essa maratona de jogos na série B vai exigir um físico que o meia não tem para dois tempos em alto nível e sem um banco com suas características, a tendência é que o meia fique sobrecarregado, é preciso cuidado, a dependência do CSA de um meia organizador é forte e ter apenas um com essa característica no elenco pode fazer o CSA sofrer.
Também é preciso olhar a lateral esquerda com cuidado, Rafinha é o único lateral esquerdo de ofício, tendo Velicka como opção para ser improvisado, mas o ideal seria ter dois laterais de ofício. A zaga titular ainda mostra irregularidade e arrisco dizer que essa posição ainda não pode se dizer fechada.
Mas ao torcedor aviso que essa derrota não será a última, a série B é uma competição longa que irá ter altos e baixos, e o torcedor precisará ter paciência com a campanha do CSA. A forma como perdeu do São Bento é dolorida porque teve na mão boa parte do tempo a vitória e deixou escapar principalmente pela fragilidade do sistema defensivo. O São Bento é um adversário difícil, mas ainda há times mais qualificados que exigirão constância de todo o time.
Absolutamente normal perder fora de casa, mas agora cabe ao CSA fazer o dever de casa contra o Oeste, e pensar em como resolver as situações acima, seja com improvisos ou com reforços, mas fato é que ainda há o que se corrigir, não se pode colocar nas costas o investimento de Walter como solução, o ataque do CSA não é o problema.
Agora é esperar os trabalhos da semana para encarar o Oeste e ir com foco e força e ir em busca de mais três pontos para se consolidar na parte de cima da tabela e chegar aos quarenta e cinco pontos, ganhar em casa é fundamental nesse momento.

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