Na última semana fizemos uma postagem sobre a atuação do time no primeiro clássico da final e já dizíamos: Era difícil de reverter, principalmente se o CSA voltasse com a mesma postura do primeiro jogo, de um time frio que já entrava em campo pronto para uma derrota.
Mas ontem foi diferente, o time entrou em campo com o espírito de vencedor, com a garra e a determinação de vencer que não teve o ano inteiro, tudo foi injetado na final. Já dizíamos que o time do crb nada mais era que um conjunto de jogadores retrancados, que o CSA poderia vencer, se tivesse a vontade de vencer.
E o resultado foi claro: A vitória do time mais organizado, que fez um primeiro tempo incrível e conseguiu segurar o ímpeto do crb o resto do jogo de forma heróica, com Michel, Didira e Xandão liderando o time à tão esperada 38ª taça.
O JOGO
O Jogo começou da forma que já se esperava: CSA todo pressão, e crb todo atrás. CSA atacando o homem da bola e fazendo pressão na saída, obrigando o crb a fazer a ligação direta pra frente. A lateral do crb estava muito frágil, sendo sufocada por Michel, Didira e muitas vezes Rafinha com belas enfiadas de bola para Michel arrancar.
Michel à frente prendia os dois zagueiros do crb com eficiência e atacava com velocidade pelo lado esquerdo, travando um duelo forte com Flávio Boaventura, e em duas oportunidades que o atacante azulino venceu o zagueiro pelo alto, dois gols saíram. Michel foi um exemplo de liderança para o time, e fundamental na conquista do título, chamou a torcida e disputou cada bola, mesmo ainda sem estar 100%.
Na primeira, aos 19, Michel volta pelo centro para recuperar a bola, e aciona de cabeça Echeverría pela direita, que arranca e bate cruzado para João Carlos defender, sobrando para Didira mandar pro fundo das redes. Na segunda, no latereio cobrado por Rafinha, o atacante sobe e ganha do zagueiro, sobrando a bola pra Echeverría que fura, mas Daniel estava atrás para conferir e mandar pro fundo das redes aos 44. O primeiro tempo do CSA foi impecável.
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| (foto: Ailton Cruz) |
Mazola viu as laterais do crb extremamente vulneráveis, mesmo com Manoel no banco, o técnico optou por colocar um volante para fazer a lateral. Estratégia que deu muito errado, lento, o volante foi incapaz de conter os avanços de Lennon e Echeverría, e substituído logo ao intervalo. Leilson deu lugar à Rafael Bastos, uma substituição ousada, já que Bastos em todos os outros jogos pouco mostrou algo.
O crb foi todo pra cima, mas começou a se tornar previsível, bolas aéreas a todo momento, com o CSA se defendendo bem e conseguindo tirar as bolas da área, saindo para os contra ataques nos bons momentos. Cabo coloca Celsinho para cobrir a lateral e adianta Lennon, que tem uma característica ofensiva melhor, e um drible mais intenso.
O que aconteceu nos dois clássicos anteriores se inverteu, o crb provou do próprio veneno, e não conseguiu furar o bloqueio defensivo do CSA, com Neto Baiano ver Xandão tirar da sua cabeça uma bola açucarada, de bicicleta num lance antológico. E no fim das contas, o CSA assegurou o retorno ao trono de Alagoas, conquistando sua 38ª taça.
CSA: Alexandre Cajuru, John Lennon, Leandro Souza, Xandão e Rafinha; Yuri e Boquita; Didira (Dawhan), Daniel Costa e Echeverria(Celsinho); Michel Douglas (Taiberson)
CRB: João Carlos, Ayrton, Flávio Boaventura, Anderson Conceição e Juliano(Juninho Potiguar); Feijão e Willians(Ruan); Edson Ratinho, Leilson (Rafael Bastos)e Willians Santana; Neto Baiano
Gols: Didira (19') Daniel Costa (44')
E AGORA?
A conquista do CSA teve um sabor especial, porque tirou o mel da boca do crb, que já estava com uma mão na taça, mas viu toda sua vantagem ser pulverizada ainda no primeiro tempo. Já dizíamos que para vestir essa camisa do CSA tem que QUERER ser campeão. E o que vimos na tarde desse domingo foi um time com fome de vencer.
O time foi intenso, foi guerreiro e a todo momento buscou a vitória. Atribuo grande parte disso a presença do atacante Michel, que logo aos 5 ao chutar uma bola ergueu os braços e chamou a torcida para jogar com o time, e a torcida jogou com o time, calando o estádio Rei Pelé e saindo realizada. Destaco a música "Lá vem o meu azul" que tem um refrão que cita isso:
"...É peito, é sangue, é raça. Vontade de ganhar. Tudo isso é o meu CSA..."
Mas não apenas Michel, Didira intenso e premiado com gol, Xandão tirando bola embaixo da linha de bicicleta, Yuri disputando cada bola, desarmando, Daniel armando boas jogadas, o time conseguiu ser guerreiro.
Com essa conquista, o CSA volta ao seu trono, que é seu por direito em Alagoas, soberano absoluto de Alagoas e o papão de títulos, frustrando os planos do crb de se aproximar na quantidade de títulos estaduais.
Não houve jogador irregular, não houve preguiça, dessa vez, o CSA superou as carências do elenco e voltou a reinar em Alagoas depois de dez anos. E agora que recomeçou, não vai parar mais. Que todos aprendam como jogar pelo CSA, é desse jeito, é peito, é sangue, é raça! Parabéns, CSA!
Mas a conquista do título não deve tirar a curva do planejamento, e já temos compromisso pelo campeonato brasileiro na próxima semana, que mais uma vez o CSA faça bonito e consiga suprir todas as carências necessárias para dar segmento à essa comemoração.

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