Evolução Progressiva: Olhando além do placar


 Ninguém gosta de perder, muito menos perder um clássico das multidões. Mas é importante analisarmos a partida deixando de lado a paixão de torcedor, afinal se não for para conversarmos aqui e sermos sinceros, não escreveria estas linhas. 

 Primeiro, o placar não traduz o que foi o jogo, mas é claro que o torcedor prefere jogar mal e vencer o clássico do que jogar bem e perde-lo, porém precisamos analisar que o time vinha tendo mesmo em vitórias atuações absolutamente abaixo do esperado, e começa a esboçar reação que no ano passado só conseguiu mostrar na semifinal (ASA 1x2 CSA). 

 Adianto que mesmo falhando, Mota não foi o único culpado do resultado amargo. É preciso entender que se perde um, perdem todos, o ataque não conseguiu botar a bola pro fundo das redes, Martin Silva falhou em dois gols na noite de ontem, Cássio falhou no gol do Santos no clássico, mas essas falhas foram amenizadas porque o ataque fez gol, então não é justo atribuir o placar somente a ele. 

 Olhemos o jogo.

 O JOGO

 O Azulão começou o jogo mais organizado, mais ofensivo, jogando pra cima. O grande problema era a finalização, o  CSA  criava muito e arrematava pouco a gol. Ainda no primeiro tempo, o crb quase abre o placar com Neto Baiano aos 22, quando Potiguar vai a linha de fundo, Lennon permite o cruzamento e Neto chuta  por cima do gol embaixo das traves, único lance real de perigo do crb que foi trabalhado.

 Dois minutos depois, Daniel faz linda assistência para Josimar sair na cara do goleiro. O atacante se posicionou extremamente bem (o que compensou estar um pouco lento), na hora de dominar demorou a tomar a decisão e acabou sendo fechado pelo goleiro João Carlos. Essa jogada (de sair por trás dos defensores), só havia sido feita em 2017 por Michel, Leandro Kível dificilmente faz esse tipo de jogada, por isso acredito que Cabo ficará entre Michel e Josimar.

Josimar foi o mais ofensivo do CSA (foto: Ailtn Cruz/ Gazeta de Alagoas)

 Dawhan faz a ultrapassagem e se une a linha dos meias, conseguindo o CSA se manter com duas linhas de quatro com Giva e Josimar mais adiantados.

 A tônica da partida permaneceu assim até os 35, quando Ayrton lançou uma bola longa demais e ficaria nas mãos de Mota, que numa infelicidade sem tamanho solta a bola nos pés de Juninho Potiguar, que só empurrou para o gol sem goleiro. Crb abria o placar no Rei Pelé em 1x0.

 A partir daí, o CSA foi todo pra  cima. Ocupou o campo de ataque todo o final do primeiro tempo e todo o segundo tempo. Faltou colocar a bola no fundo das redes. Daniel numa cobrança de falta quase manda no  fundo das redes, mas mandou na rede pelo lado de fora. O crb se fechou completamente e deixou de tentar atacar. Aos 27, Josimar recebe uma bola sozinho e parte para o ataque, mas é parado com falta temerosa de Anderson Conceição, que termina expulso.

 Marcelo Cabo mostrou ousadia necessária e tirou Dawhan e colocando Michel, jogando o time ainda mais pra cima, mas de nada adiantou, a tônica continuou com o CSA melhor, jogando em cima, sem conseguir mandar pro fundo do gol. Michel  deitado toca para Josimar mandar no cantinho e João Carlos fazer milagre.

 CSA: Mota, 31 - Mota, Lennon, Roger, Xandão e Paulinho; Dawhan (Yago), Yuri, Daniel Costa e Didira (Caíque); Giva (Michel) e Josimar

 crb: João Carlos, Ayrton, Boaventura, A.Conceição, Feijão, Diego, E.Ratinho, Willians, Neto Baiano, Willians Santana e Juninho Potiguar.

 E AGORA?

 Resultado injusto, mas o que vale é bola na rede. Digo ao torcedor, perder clássico dói, é ruim, ou melhor, é péssimo, mas não é terra arrasada. Basta olhar a coletiva do técnico Mazola para a coletiva do técnico Marcelo Cabo: O que venceu estava tenso atacando a imprensa, o que perdeu estava tranquilo e ressaltando a evolução da sua equipe.

 E de fato houve: O CSA evoluiu, estava melhor antes e depois de tomar o gol. O gol que Mota tomou pode ter modificado o panorama da partida, mas não pode ser o fator usado como desculpa para a derrota apenas. Embora o CSA esteja em evolução, não se pode perder as claras chances de gols criadas, e pior: Não pode deixar de finalizar. 

 Mas ainda na derrota, o CSA se comportou melhor que em muitas vitórias. Quem observa CSA x Murici (4x0) e CSA x Dimensão (5x0), imagina que a goleada foi um espetáculo. Não, o time jogava mal e vencia pela fragilidade do adversário, dessa vez o CSA jogou bem em si. 

 Se em uma semana Marcelo Cabo modificou tanto esse time, o que ele poderá fazer em mais tempo? Posso passar ao torcedor que o CSA nesse momento mostrou que pode ser campeão alagoano, tem deficiências no ataque, mas se resolver principalmente esse problema, tem GRANDES chances de ser campeão alagonano.

 Vou ser incisivo aqui: O crb não mostrou absolutamente nada que justifique uma folha salarial quatro vezes mais alta que a do CSA. Agora é deixar esse jogo pra trás, permanecer evoluindo, treinar finalização e ganhar confiança nos próximos jogos para chegar à final afiado. 

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