Por incrível que pareça, em 2017 o CSA mudou muitas vezes sua forma de jogar, foi entre muitos momentos um time ofensivo, alternou entre a posse de bola e até mesmo um time veloz que priorizava a velocidade na transição para atacar. Com a mudança entre os técnicos, o time teve várias modificações estruturais, seja num contexto mais específico como troca de funções e posições, ou mais amplo, no sentido tático da palavra: Mudando seu esquema tático completo.
Para entender como cada um funciona, temos que conhece-los: A medida que o tempo foi passando, foram criados vários tipos de posições, e com isso, esquemas táticos, alguns mais voltados para atacar, outros mais voltados para se defender e com diferentes formas de chegar a um equilíbrio, atacando e defendendo com qualidade.
Todos os esquemas possuem diferenças em sua formação (principalmente no meio-campo, onde ocorrem as principais mudanças), e também na forma de como cada jogador atuará. Os esquemas são tipicamente identificados por três números, que indicam o número de jogadores na defesa, meio-campo e ataque.
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| (foto: Ailton Cruz) |
A FIFA reconhece apenas seis sistemas táticos (1-1-8; W.M; 4-2-4; 4-3-3 4-4-2; 3-5-2). Os outros são considerados desdobramentos desses que já existem. Mas quais desses o CSA efetivamente usou ao longo da temporada? Podemos dizer que pelo menos três:
4-3-3
Esse esquema é um dos favoritos na Europa, sendo utilizados os quatro jogadores na linha defensiva, três na linha de meio campo e três na linha de ataque, Oliveira Canindé utilizou esse esquema contra o ASA de Arapiraca, na vitória azulina por 2x1. O esquema tinha: Mota - Rafinha, Douglas Marques, Thales e Celsinho (4), Everton Heleno, Dawhan e Daniel Costa (3) Didira, Vanger e Thiago Potiguar (3), com Thiago Potiguar atuando como falso 9, saindo e entrando na área a todo momento, confundindo a marcação do ASA, portanto, nesse esquema não é utilizado um centroavante.
Esse esquema utiliza normalmente um volante e dois meias no campo de defesa, essa é a regra, mas pode ser utilizado também com dois volantes e um meia, como Oliveira utilizou Heleno e Dawhan, dando mais liberdade a Daniel Costa, porém com Heleno também ultrapassando. A força desse esquema vem da marcação de saída com o adiantamento da linha de meio campo (Pressão na frente), forçando o erro na saída de bola do adversário. A bola passa de um lado para o outro com qualidade até que haja espaço para se infiltrar na área.
O esquema prioriza a posse de bola, portanto precisa-se de um time muito bem treinado, porque ele exige qualidade no passe para que não se perca essa bola no campo de ataque, se nesse esquema a equipe perde a bola no campo de ataque, deixa o meio bastante exposto para contra ataques, portanto, deve ser usado com muito cuidado. É bom lembrar que atacantes por mais que façam recomposição, não defendem com tanta eficiência como volantes e laterais.
Dawhan conseguia sozinho muitas vezes marcar dois homens, porque tem qualidade para isso, já que Helno e Daniel Costa atacavam mais do que efetivamente defendiam. Trocando muitas vezes de posição Heleno Avança e Thiago Potiguar se desloca (como um falso 9 sempre o faz), veja a linha de três no ataque na imagem abaixo:
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| Daniel, Heleno e Potiguar (imagem: Reprodução/Gazeta) |
Ponto forte do esquema: Confunde a marcação na frente, prioriza a posse de bola, giro de bola no campo de ataque.
Ponto fraco do esquema: Exposição do meio de campo, recomposição precisa ser extremamente rápida, necessita de muita qualidade de passe e inversão para que dê certo.
4-2-3-1
Um dos esquemas mais utilizados após os anos 90. Considerado moderno e eficaz, faz com que a equipe possa se defender e atacar com pelo menos seis jogadores. É normalmente usado em times que possuem jogadores que saibam defender e atacar com precisão e em bloco. Tem a linha de quatro natural (dois zagueiros e dois laterais), dois meio-campistas que ajudam na defesa e no ataque, dois pontas, um meia-central e um centro-avante.
Ney da Matta utilizou esse esquema em alguns momentos, mas principalmente quando Angulo estava em campo, por ter essencialmente as características únicas de um centroavante de área, diferente de Michel, que se movimenta, busca a bola e sai muito da área, sendo mais participativo, também conhecido como Centroavante Móvel, enquanto Angulo pode ser chamado de Centroavante Fixo.
Observem a imagem abaixo:
4-2-3-1
Um dos esquemas mais utilizados após os anos 90. Considerado moderno e eficaz, faz com que a equipe possa se defender e atacar com pelo menos seis jogadores. É normalmente usado em times que possuem jogadores que saibam defender e atacar com precisão e em bloco. Tem a linha de quatro natural (dois zagueiros e dois laterais), dois meio-campistas que ajudam na defesa e no ataque, dois pontas, um meia-central e um centro-avante.
Ney da Matta utilizou esse esquema em alguns momentos, mas principalmente quando Angulo estava em campo, por ter essencialmente as características únicas de um centroavante de área, diferente de Michel, que se movimenta, busca a bola e sai muito da área, sendo mais participativo, também conhecido como Centroavante Móvel, enquanto Angulo pode ser chamado de Centroavante Fixo.
Observem a imagem abaixo:
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| (imagem: Reprodução/Ei Plus) |
Notem que fora da imagem há a linha de quatro (Raul, Thales, Jorge Fellipe e Celsinho), e na imagem temos a linha de dois (Dawhan e Boquita), a linha de três (Marcos Antônio, Daniel Costa e Edinho) e Angulo na frente centralizado, essa é a forma natural do esquema 4-2-3-1.
Esse esquema tem a vantagem de poder jogar com dois homens abertos no momento de atacar (Marcos Antônio e Edinho), com um meia organizador por dentro (Daniel Costa), sendo um ataque com mais homens à frente, porém, não só de ataque vive esse esquema, sendo forte também na recomposição sem a bola.
Mas como? Se a bola é perdida, os dois que jogam aberto se recompõe para fazer outra linha de quatro (se unido aos dois volantes) para fechar os espaços do adversário, mantendo à frente o homem de ligação e o centroavante apenas, o que não significa que eles não combatam, mas apenas que as duas peças que precisam recompor obrigatoriamente, são os abertos pelos lados. Isso exigiu bastante tanto de Marcos Antônio, quanto de Edinho, que precisavam voltar para recompor.
Esse esquema também tem um problema: Os que jogam pelos lados abertos para o ataque precisam ter como uma característica a marcação, se não existir essa característica, pode dar muito errado. Isso é, se o atacante/meia que joga aberto não tem característica de marcação, na hora da recomposição fará provavelmente a falta por trás e tomará cartão. A dupla marcação ao lado do lateral precisa ser eficiente para que o sistema funcione perfeitamente.
Edinho e Marcos Antônio conseguiam roubar a bola e defender com a mesma intensidade, tendo a característica da roubada de bola sem fazer a falta por trás. Esse sistema ainda tem como um outro porém: Muitos jogadores ficam distantes da linha da bola (Se a bola está na lateral esquerda por exemplo, cerca de quatro ou cinco jogadores não estariam próximos da linha da bola), podendo deixar áreas desprotegidas.
O Centroavante prenderia pelo menos dois zagueiros, enquanto os meias e pontas avançam para o ataque, chegando assim à frente com mais homens, tanto servindo o centroavante para finalizar, ou sendo ele o pivô para que as jogadas aconteçam.
Ponto forte do Esquema: Mais homens à frente na hora de atacar, mais velocidade e mais opções de triangulação.
Ponto fraco do Esquema: Exige muito dos meias abertos/pontas, linhas de quatro não podem ficar distantes e o time precisa ser bem treinado no um contra um, pela proteção das zonas na hora da recomposição, distância entre os homens da bola.
4-4-2
Chegamos finalmente ao ápice do CSA em 2017. O 4-4-2 de Flávio Araújo, utilizado nos jogos principalmente da reta final da série C, carimbando tanto o acesso do CSA à série B quanto o título do campeonato brasileiro da série C. Esse esquema foi o que levou o CSA a ter a melhor eficiência tática, seja atacando, seja defendendo.
Iniciando pela defesa, o CSA utilizou esse esquema contra o Tombense em Tombos, iniciando o jogo com duas linhas de quatro e uma de dois. A primeira linha de quatro foi composta por: Raul Diogo, Leandro Souza, Jorge Fellipe e Celsinho. A segunda linha de quatro composta por: Marcos Antônio, Daniel Costa, Dawhan e Boquita. E a última linha, de dois, formada por: Michel e Edinho.
Esse esquema trás tanto uma compactação defensiva, quanto ofensiva, essas duas linhas funcionam muito próximas uma da outra. Uma das principais vantagens desse esquema, é que o time se torna mais curto, mais próximo. Com essa diminuição, o passe se torna mais fácil e facilita o domínio do meio de campo.
Mas como todo esquema, precisa de atenção. É necessário que haja uma harmonia entre os jogadores para que a coletividade funcione. Normalmente quando o adversário entra no campo de defesa, as duas linhas de quatro funcionam como uma prensa, eu cito que é O martelo e a Bigorna. Por que? Porque você tem uma dupla marcação de frente e de trás, para que um desarme e outro roube a bola, embora a marcação seja por zona. Não dando espaço para o adversário se infiltrar no seu campo.
Se via isso principalmente com Marcos Antônio e Raul Diogo, quando um desarmava e outro saía em velocidade com a roubada de bola.
As linhas precisam estar em total sintonia na hora de subir ou descer, isso exige muita dedicação e comprometimento, as três linhas precisam subir e descer ao mesmo tempo, caso isso não ocorra, o esquema pode não funcionar corretamente.
Michel e Edinho na frente pressionam a saída de bola abrindo ou avançando com mais intensidade, e nesse esquema lado a lado foi onde os dois atacantes mais cresceram, principalmente Michel, que tem liberdade para avançar e aproveitar tanto pra ser o pivô, quanto pra finalizar. A velocidade de Edinho era um dos combustíveis para abastecer Michel de bolas à feição para finalizar.
Veja na imagem abaixo:
Note que Michel e Edinho estão mais avançados, enquanto os quatro meias estão muito próximos um do outro, facilitando tanto o passe, quanto a triangulação para ultrapassar as linhas, note que sempre há um jogador desmarcado para receber a bola, porque há um povoamento maior no meio de campo.
Esses meias avançam em bloco, como Dawhan avançou para receber de Daniel e cruzar para Michel fazer o gol na final contra o Fortaleza, sempre atacando em bloco, como fez o CSA durante a final no Ceará. Esse esquema é o que mais se encaixou o CSA, extraindo o melhor de Michel e Edinho, assim como dando mais liberdade à Daniel Costa para armar.
Ponto forte do esquema: Pouco espaço para o adversário em seu campo, velocidade na transição ofensiva e a liberdade dos quatro meias de armar, assim como pela proximidade das linhas, reduz os erros de passe.
Ponto fraco do esquema: As linhas precisam estar em total sintonia, o meio precisa ter muito cuidado, no combate um contra um, nesse esquema um time que não está acostumado tende a tomar bola nas costas na hora da infiltração (vimos isso na derrota para o São Bento no tempo normal), a linha inicial não pode se descuidar, pois ela não será completamente protegida pela primeira.
Conclusão: O esquema 4-4-2 extraiu o melhor dos jogadores em suas características e fez o atacante Michel Douglas crescer, no 4-2-3-1 como centroavante de área sozinho, não rendeu o que se esperava, assim como também não rendeu na ponta esquerda no empate em 0x0 contra o ASA. Michel cresce quando joga como atacante lado a lado com outro.
Assim como Daniel Costa cresceu ao ter mais liberdade, enquanto com Oliveira Canindé tinha obrigações de marcação para cobrir as subidas de Heleno, com Flávio deixou de ter uma obrigação tão exposta (embora também a tenha), mas pela proximidade das linhas, a recomposição se torna mais eficiente, ajudando o meia a ser mais criativo.
No fim da série C o CSA se sagrou campeão jogando nesse 4-4-2. Mas e aí torcedor, curtiu o Post? Deixa aí sua opinião sobre os esquemas.
Esse esquema tem a vantagem de poder jogar com dois homens abertos no momento de atacar (Marcos Antônio e Edinho), com um meia organizador por dentro (Daniel Costa), sendo um ataque com mais homens à frente, porém, não só de ataque vive esse esquema, sendo forte também na recomposição sem a bola.
Mas como? Se a bola é perdida, os dois que jogam aberto se recompõe para fazer outra linha de quatro (se unido aos dois volantes) para fechar os espaços do adversário, mantendo à frente o homem de ligação e o centroavante apenas, o que não significa que eles não combatam, mas apenas que as duas peças que precisam recompor obrigatoriamente, são os abertos pelos lados. Isso exigiu bastante tanto de Marcos Antônio, quanto de Edinho, que precisavam voltar para recompor.
Esse esquema também tem um problema: Os que jogam pelos lados abertos para o ataque precisam ter como uma característica a marcação, se não existir essa característica, pode dar muito errado. Isso é, se o atacante/meia que joga aberto não tem característica de marcação, na hora da recomposição fará provavelmente a falta por trás e tomará cartão. A dupla marcação ao lado do lateral precisa ser eficiente para que o sistema funcione perfeitamente.
Edinho e Marcos Antônio conseguiam roubar a bola e defender com a mesma intensidade, tendo a característica da roubada de bola sem fazer a falta por trás. Esse sistema ainda tem como um outro porém: Muitos jogadores ficam distantes da linha da bola (Se a bola está na lateral esquerda por exemplo, cerca de quatro ou cinco jogadores não estariam próximos da linha da bola), podendo deixar áreas desprotegidas.
O Centroavante prenderia pelo menos dois zagueiros, enquanto os meias e pontas avançam para o ataque, chegando assim à frente com mais homens, tanto servindo o centroavante para finalizar, ou sendo ele o pivô para que as jogadas aconteçam.
Ponto forte do Esquema: Mais homens à frente na hora de atacar, mais velocidade e mais opções de triangulação.
Ponto fraco do Esquema: Exige muito dos meias abertos/pontas, linhas de quatro não podem ficar distantes e o time precisa ser bem treinado no um contra um, pela proteção das zonas na hora da recomposição, distância entre os homens da bola.
4-4-2
Chegamos finalmente ao ápice do CSA em 2017. O 4-4-2 de Flávio Araújo, utilizado nos jogos principalmente da reta final da série C, carimbando tanto o acesso do CSA à série B quanto o título do campeonato brasileiro da série C. Esse esquema foi o que levou o CSA a ter a melhor eficiência tática, seja atacando, seja defendendo.
Iniciando pela defesa, o CSA utilizou esse esquema contra o Tombense em Tombos, iniciando o jogo com duas linhas de quatro e uma de dois. A primeira linha de quatro foi composta por: Raul Diogo, Leandro Souza, Jorge Fellipe e Celsinho. A segunda linha de quatro composta por: Marcos Antônio, Daniel Costa, Dawhan e Boquita. E a última linha, de dois, formada por: Michel e Edinho.
Esse esquema trás tanto uma compactação defensiva, quanto ofensiva, essas duas linhas funcionam muito próximas uma da outra. Uma das principais vantagens desse esquema, é que o time se torna mais curto, mais próximo. Com essa diminuição, o passe se torna mais fácil e facilita o domínio do meio de campo.
Mas como todo esquema, precisa de atenção. É necessário que haja uma harmonia entre os jogadores para que a coletividade funcione. Normalmente quando o adversário entra no campo de defesa, as duas linhas de quatro funcionam como uma prensa, eu cito que é O martelo e a Bigorna. Por que? Porque você tem uma dupla marcação de frente e de trás, para que um desarme e outro roube a bola, embora a marcação seja por zona. Não dando espaço para o adversário se infiltrar no seu campo.
Se via isso principalmente com Marcos Antônio e Raul Diogo, quando um desarmava e outro saía em velocidade com a roubada de bola.
As linhas precisam estar em total sintonia na hora de subir ou descer, isso exige muita dedicação e comprometimento, as três linhas precisam subir e descer ao mesmo tempo, caso isso não ocorra, o esquema pode não funcionar corretamente.
Michel e Edinho na frente pressionam a saída de bola abrindo ou avançando com mais intensidade, e nesse esquema lado a lado foi onde os dois atacantes mais cresceram, principalmente Michel, que tem liberdade para avançar e aproveitar tanto pra ser o pivô, quanto pra finalizar. A velocidade de Edinho era um dos combustíveis para abastecer Michel de bolas à feição para finalizar.
Veja na imagem abaixo:
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| (imagem: Reprodução/Ei Plus) |
Esses meias avançam em bloco, como Dawhan avançou para receber de Daniel e cruzar para Michel fazer o gol na final contra o Fortaleza, sempre atacando em bloco, como fez o CSA durante a final no Ceará. Esse esquema é o que mais se encaixou o CSA, extraindo o melhor de Michel e Edinho, assim como dando mais liberdade à Daniel Costa para armar.
Ponto forte do esquema: Pouco espaço para o adversário em seu campo, velocidade na transição ofensiva e a liberdade dos quatro meias de armar, assim como pela proximidade das linhas, reduz os erros de passe.
Ponto fraco do esquema: As linhas precisam estar em total sintonia, o meio precisa ter muito cuidado, no combate um contra um, nesse esquema um time que não está acostumado tende a tomar bola nas costas na hora da infiltração (vimos isso na derrota para o São Bento no tempo normal), a linha inicial não pode se descuidar, pois ela não será completamente protegida pela primeira.
Conclusão: O esquema 4-4-2 extraiu o melhor dos jogadores em suas características e fez o atacante Michel Douglas crescer, no 4-2-3-1 como centroavante de área sozinho, não rendeu o que se esperava, assim como também não rendeu na ponta esquerda no empate em 0x0 contra o ASA. Michel cresce quando joga como atacante lado a lado com outro.
Assim como Daniel Costa cresceu ao ter mais liberdade, enquanto com Oliveira Canindé tinha obrigações de marcação para cobrir as subidas de Heleno, com Flávio deixou de ter uma obrigação tão exposta (embora também a tenha), mas pela proximidade das linhas, a recomposição se torna mais eficiente, ajudando o meia a ser mais criativo.
No fim da série C o CSA se sagrou campeão jogando nesse 4-4-2. Mas e aí torcedor, curtiu o Post? Deixa aí sua opinião sobre os esquemas.




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