Um time altamente coletivo


 O ano de 2017 para o torcedor azulino começou cheio de frustrações: A falta de um time equilibrado no campeonato alagoano causava dores de cabeça e a maioria dos torcedores do início ao fim do campeonato estadual e regional não viam uma forma no time, que sofria da falta de um ataque eficiente, dependia do poder de finalização de meio-campistas e volantes. 

 O grande destaque desse início de ano tinha sido Éverton Heleno, que apesar de fazer muitos gols, se mostrou taticamente muito abaixo do esperado e desaparecendo em jogos maiores, o que enfurecia grande parte da torcida. O CSA chegou na final do campeonato estadual e mais uma ducha de água fria: Mais um vice-campeonato. 

 Pisando novamente no Rei Pelé pelo campeonato brasileiro da série C, o time parecia outro, e de fato era bem diferente do time do campeonato alagoano. O jovem Jacó deu lugar ao canhoto Michel, que já chegou fazendo gols. Éverton Heleno após algumas rodadas assinou contrato com o Atlético - GO. Boquita assumiu seu lugar. 

(imagem: instagram oficial CSA)

 Entre muitas mudanças, como a entrada de Edinho, Jorge Fellipe e outros, o CSA tomou forma, mas além da forma, os números dessa série C até a finalíssima são impressionantes, mostra que o time individualista do campeonato alagoano deixou de existir, em seu lugar um time mais unido, com uma grande quantidade de goleadores e assistentes.

 O time do segundo semestre é mais sólido, corre muitos menos riscos, passou menos sustos, não passou todas as dificuldades do time do primeiro semestre, mostrou muito mais personalidade e mais organização tática. 

 Destrinchando esses números, coloquei-os frios no papel, ao todo 14 jogadores já balançaram as redes e 11 jogadores deram assistências à gol, vamos aos números primeiro dos artilheiros:


Artilharia da série C do Azulão* (arte: Gustavo Peixoto/ XAeB)

 Observamos acima  que 14 jogadores balançaram as redes, completando 26 gols que o CSA efetivamente fez (sem contar gols contra). Michel tem ampla vantagem, porém diferente do alagoano, Michel é efetivamente um homem de frente, um atacante de área cobrado pela torcida, o que torna  essa vantagem de gols totalmente justificável, mas não significa que o time jogue em função do seu artilheiro. 

 Muito pelo contrário, se observarmos estes oito gols mais de perto podemos ver que todos eles foram marcados em partidas diferentes: ASA, Confiança, Salgueiro (ida), Salgueiro (volta), Fortaleza (fase de grupos), Tombense (ida, quartas), São Bento (ida, semi), Fortaleza (ida, final). O que já modifica do que acontecia no Alagoano (inúmeros gols do artilheiros em jogos teoricamente mais simples, incluindo Hat-trick no sete de setembro.)

Michel é o artilheiro do CSA com oito gols (foto:: Ailton Cruz/ Gazeta de Alagoas)

 Mais abaixo vemos uma enorme variedade de goleadores, com dois gols Daniel Costa está empatado nesse número com outros atacantes e meio-campistas, isto é, os homens de frente agora estão atacando mais a área do que acontecia no primeiro semestre, bolas aéreas deixam de ser constantes e o CSA chega agora com jogadas trabalhadas.

 Essa variedade de goleadores mostra que o time não concentra seu poder de fogo em um homem apenas, o que demonstra uma grande coletividade principalmente em jogadas trianguladas: O jogador melhor posicionado recebe e finaliza, isto é, não há um fominha no time. 

 Mais um dado ainda reforça mais essa coletividade, vamos às assistências:


Assistentes da série C do Azulão (arte: Gustavo Peixoto/ XAeB)

   Mais um número que reforça tal coletividade: Os assistentes em 2017. Ao todo 11 jogadores deram assistências à gol, desses 11, 4 não fizeram gols nessa série C, somando o envolvimento total com os gols feitos, ao todo 18 jogadores tiveram envolvimento direto (ou fez ou deu assistência) com os gols marcados. 

 Estamos aqui ignorando todos os que participaram indiretamente dos gols (corta luz, criação da jogada, puxar zagueiros, jogadas de linha de fundo e bolas paradas), a lista de participações aumentaria ainda muito mais.

Fotos: Alysson Teixeira /RCortez / CSA

 Esses números expressam o quanto essa equipe valoriza sim a condição do coletivo, e ainda mostra outra coisa interessantíssima: O artilheiro da série C também é um dos garçons. Significa dizer que Michel não apenas faz gols, mas também os dá como assistência, bom sinal. 

 Daniel Costa tem papel fundamental na criação das jogadas, nem sempre é aquele à quem é dada a condição de assistente, mas normalmente todas as jogadas de gols passam pelos seus pés, um dos grandes nomes do CSA nessa série C, joga no brasileiro tudo que não jogou pelo alagoano, essa falta de coletividade que existia na campanha do estadual comprometia também o bom desempenho de Daniel. 

Daniel é o principal articulador do CSA (foto: Alisson Frazão)

 O CSA chegou à final com a segunda melhor defesa do campeonato, perdendo apenas para o São Bento, que caiu nas semifinais para o próprio CSA, não bastasse ser um dos melhores ataque variando tanto em marcadores: Quase todas as duplas de zagueiros possíveis atuaram na série C 2017:

 Thales e Leandro (CSA 3x0 ASA)
 Jorge Fellipe e Thales (CSA 1x0 Fortaleza)
 Thales e Rodrigo Lobão (Cuiabá 1x1 CSA )
 Leandro e Jorge Fellipe (CSA 1x0 Tombense)
 Leandro e Rodrigo Lobão (Parnahyba 0x1 CSA) 
 Lobão e Cristiano (CSA 0x1 São Bento)
 Cristiano e Leandro (Fortaleza 1x2 CSA)

  Observem que mesmo com toda essa variação de dupla de zaga, o CSA não deixou de ser uma das melhores defesas do campeonato, é algo incrível e mostra que o time tem um entrosamento absurdamente alto, se prestarem atenção, o CSA jamais tomou mais do que dois gols em uma partida em todo o campeonato.

 Quando Ney da Matta caiu, a reação de quem estava de fora era a de que o grupo poderia desmoronar, porém ocorreu exatamente o contrário, o grupo se uniu e deu as mãos com a torcida, conseguiu não apenas o acesso, mas chegar à final vencendo a ida e com grandes chances de título. A personalidade do grupo foi forte e determinante para que se superasse o momento de turbulência e contornasse a situação o mais rápido possível. 

 Essa união entre os jogadores foi a fonte de força para o CSA chegar onde chegou. Chegou à condição de finalista, trazendo isso a série B, com muito mérito pode se tornar campeão brasileiro e fazer história pelo CSA, o fato é: O CSA do segundo semestre é bem diferente daquele do primeiro, é um CSA unido, uma família, e isso se reflete muito em campo. 


  *Muitos dos dados desta matéria são colhidos no site oficial da cbf 

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