Superior em campo: O CSA larga na frente pela taça!


 Talvez muitos torcedores não esperavam o que aconteceu neste sábado no Castelão ser tão bom como foi. Mas foi incrível ver tantos torcedores do CSA se reunindo e indo até o Castelão para apoiar o Azulão, e cantaram, cantaram alto, mesmo diante de mais de 40 mil torcedores, a voz do torcedor azulino continua muito forte.

 A apreensão antes do jogo foi forte. Todo o sistema defensivo do CSA foi modificado, Raul deu lugar à Rafinha, Celsinho deu lugar a Dick, Jorge Fellipe deu lugar a Cristiano. Leandro voltou ao time titular. Ou seja, o CSA iria encarar o Fortaleza com o sistema defensivo completamente modificado.

 Comentaristas e jornalistas apontavam a incógnita que seria um time tão modificado para uma final, um time completamente mexido, sem contar com muitas peças ditas fundamentais no decorrer da série C.

 Mas o CSA tem um elenco, não um time. A atuação do time em fortaleza foi de uma curva incrível, começou extremamente mal, foi se encaixando até conseguir chegar ao seu pico e derrotar o Fortaleza, calando o Castelão pela segunda vez esse ano. 

 O JOGO

 Talvez o início tenha sido um dos mais tensos para o torcedor, o CSA entrou ansioso, em menos de dois minutos Edinho já achava Michel na área e o artilheiro do azulão era travado. Mas a tensão vinha a seguir: O Fortaleza começou um embate no ataque, e como um time extremamente vertical, atacava os corredores laterais, tentando passar por Dick e Rafinha, ambos não iniciaram bem o jogo.

(foto:JL Rosa/Agência Diário)

 Mas um herói aparecia na meta azulina: Mota fechou o gol, bola batida por Bruno Melo, por Hiago, nada passava pelo goleiro Mota, que ia certo em todas, como foi em 2016, contra o CSA, Mota fecha o gol a favor do CSA contra o Fortaleza, se consagrou na noite desse sábado como um dos grandes pilares de segurança do time. 

 Como a válvula de escape do Azulão, Edinho passava por Felipe como queria, o defensor parou Edinho com falta e terminou amarelado. O CSA mais do que nunca tinha a faca e o queijo na mão, foi por aquele lado mesmo que saiu a jogada do gol: Daniel Costa dá um passe incrível para Dawhan, que cruza para Michel abrir o marcador de cabeça, subiu mais alto e estufou as redes, como fez na fase de grupos, abriu o placar para o CSA.

Torcida do CSA enlouquece no Castelão (Foto: César Oliveira /Arquivo pessoal)
 Aqui abrimos um parêntese, Dawhan atacou o espaço perfeitamente, se colocou entre os zagueiros e aponta pra onde Daniel jogue a bola, no vazio, no ponto futuro, Dawhan ataca esse ponto futuro, cruza perfeitamente e encontra Michel, que sobe com seu marcador, mas ganha e testa pra baixo, acabando com qualquer chance de defesa. 

 Alguns minutos depois de fazer o gol, o Fortaleza chegou com perigo, Jô recebe cara a cara com Mota, chuta forte, Mota defende, chuta de novo, Mota de novo defende em dois lances de cinema, embora o lance já estivesse parado, é de se render ao goleiro que se agigantou nessa decisão. 

 O Segundo tempo começa na mesma pegada, Edinho recebe uma bola e tenta por cobertura, termina tirando demais do goleiro Boeck, mas o CSA continua chegando forte. Logo no início novamente Edinho é acionado por Daniel Costa na direita, vai à frente e cruza rasteiro, Dick erra o chute e Pablo manda contra as próprias redes, se a situação do Fortaleza já era ruim, ficou monstruosamente pior.

 O CSA jogou em ataque num 4-4-2 ofensivo. Velocidade na transição e laterais no apoio ofensivo foram grandes armas do CSA contra o Fortaleza. Michel e Edinho jogando mais adiantados, acompanhados de Daniel Costa, que era o homem que pifava os atacantes na entrada da área, criando as melhores jogadas na linha de frente foram fatores decisivos nos dois gols.

Vejam só a organização do CSA no ataque em bloco (imagem: Ei/Reprodução)

O meio de campo do CSA é extraordinário, alie isso á velocidade nas pontas, aos 10 minutos, Felipe já era amarelado por Edinho, sempre quando atacava, o CSA se postava à frente da defesa do Fortaleza, que perdia o combate principalmente no meio, onde o CSA é mais forte.

 Como se não bastasse o CSA ter sido tão bem ofensivamente, a dupla de zagueiros do CSA, Leandro e Cristiano foi perfeita, Cristiano em muitos momentos surpreendeu dando carrinhos que causariam calafrios em times da série A. Isto é, teve coragem para em muitos momentos acabar com a jogada na força sem a falta, mas com muita técnica e precisão, que normalmente não se vê zagueiros com essa coragem. Normalmente, com a perna mole, os zagueiros esperam até o último momento para recorrer a isso.

 Leandro Souza também fez um partidaço, com tempo de bola, boa cobertura e precisão, chegou inclusive a dar chapéus e sair jogando como fazia com perfeição em 2016, esse sim é o Leandro xerife da zaga azulina. Voltou a ter a confiança para ser titular na zaga do CSA.

 Flávio Araújo tratou de substituir os pendurados e mantém o time completo para a volta, o CSA não perde ninguém por ordem disciplinar para o jogo da volta, muito bem pensado pelo professor marujo. O Azulão precisa de seu time completo para a volta.

 Aos 43 minutos o CSA até sofreu um gol, mas não chegou a ser uma falha, foi uma marcação à distância, Mota não chegou sequer a praticar a defesa, a bola num tremendo azar desvia em Cristiano e mata o goleiro Mota, um lance infeliz, em que nada se poderia fazer, fim de jogo no silencioso Castelão, Fortaleza 1x2 CSA.

 CSA: Mota; Dick, Leandro Souza, Cristiano e Rafinha; Dawhan, Boquita, Daniel Costa (Didira) e Marcos Antônio (Rosinei); Edinho (Gustavo) e Michel Douglas.

 Fortaleza: Marcelo Boeck; Felipe, Edimar, Ligger e Bruno Melo; Anderson Uchôa, Pablo, Leandro Lima, Hiago (Ronny) e Jô (Gabriel Pereira); Leandro Cearense (Paulo Sérgio).

 Nota do Blog a partida: 9,0 - O CSA foi perfeito em todos os aspectos, do ataque até a defesa, teve boas chances de ampliar se acertasse o pé, Gustavinho não aproveitou cara a cara com Boeck e num 5 contra 3 Didira é pego em impedimento, poderia ter ampliado, mesmo assim, a vantagem é gigante.

 O Melhor do CSA na partida: Mota - Fez incríveis defesas dignas de cinema, conseguiu fazer  grandes intervenções e foi um dos responsáveis por não  ter cedido o placar  ao Fortaleza principalmente no primeiro tempo, as duas defesas dos chutes de Jô, são pra botar no DVD.

  E AGORA?

 As equipes voltam a duelar no próximo sábado, às 18 horas (horário local), no estádio Rei Pelé. O resultado desta noite permite que o CSA perca por 1 a 0, que mesmo assim levanta a taça. O CSA só não será campeão se o Fortaleza vencer por 2 a 0 ou por um gol de diferença, desde que faça mais de dois gols. Vitória do tricolor por 2 a 1 leva a decisão para as penalidades.

 Mas pelo que vimos sábado, o CSA tem sim mais time, tem mais qualidade individual e tem mais técnica, mas não é por isso que o jogo será fácil, o Fortaleza vem a Maceió sem nada a perder e deve se lançar completamente ao ataque, o CSA precisa estar pronto pra isso, além, de é claro fazer valer o seu mando de campo e o apoio de sua torcida.

 Não perde ninguém por ordem disciplinar, ao contrário, ganha os que estavam suspensos, como Celsinho, Lobão e Raul Diogo, além de possivelmente contar com o retorno de Jorge Fellipe, que está entregue ao Departamento médico.

 O CSA fez sua vantagem, não é campeão ainda, precisa provar mais do que isso e consolidar essa vantagem para finalmente Alagoas erguer um troféu nacional. Agora está tudo nas mãos dos jogadores, que tanto fizeram bem seus papéis que chegaram à final com um grande crédito. Manter o espírito competitivo e a vontade de vencer são fundamentais, o título ainda não veio, mas está muito mais pra cá do que pra lá.  

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