Confesso a todos vocês que não encontrava palavras para conseguir sequer começar a escrever sobre essa noite de sábado, tudo que aconteceu vai ser lembrado por muitos e muitos anos, essa noite não teve apenas um campeão, Alagoas é agora oficialmente um estado com um campeão brasileiro.
Orgulho.
Não há como descrever um sentimento tão intenso, ver um time que há menos de dois anos nada tinha, erguer a taça de campeão do Brasil da série C, um título nacional... Não, não há outro momento como esse em toda a história do clube. Felizes estão aqueles que viveram para ver a glória mais alta que o CSA já alcançou.
Um time montado as pressas após o fim do alagoano, mais de 60% de reformulação, frustração no primeiro semestre, uma torcida cansada e insatisfeita, mas sempre fiel. Tudo caminhava para que o CSA fosse só mais um clube a participar da terceira divisão.
Mas a camisa do CSA é pesada, a tradição é forte. Entre problemas internos, troca de agressões de técnico e jogadores, tudo parecia caminhar para que o CSA não conseguisse sequer passar pelas quartas. Não, Rafael Tenório e seu grupo foram até o fim, acreditaram cada momento e foram coroados.
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| (Foto: Adailson Calheiros) |
Uma noite em que o mundo vestiu azul e branco, e quando falo o mundo, falo sério. Marta direto da China vibrava pelo seu time, aos gritos de "É Campeão!" em sua concentração da seleção, Jean Cléber torcia de Portugal e mandou recado. Pelo Brasil então? Ora, milhares de azulinos tomaram a capital maceioense em todos os lugares, inclusive no estádio Rei Pelé.
O espetáculo dentro do Rei Pelé foi ainda maior, digno de dois grandes clubes do Nordeste: CSA e Fortaleza travaram um grande duelo, Fortaleza lutando para fazer gol e CSA mostrando porque tinha a melhor defesa do campeonato. Porém, ao apito final, não houve nenhum perdedor.
Jogadores do Fortaleza parabenizaram os jogadores do CSA pela conquista do título e saíram do Rei Pelé aplaudidos pela torcida azulina, uma amostra do quanto o futebol é mágico, aplausos para o adversário, dando um brilho ainda maior à festa. Na saída, torcedores do Fortaleza e do CSA aplaudem uns aos outros, em sinal de respeito pelo bom duelo em campo.
Isso se refletiu em campo, sem reclamações, sem incidentes, sem brigas. Paz, respeito, dignidade. Os dois clubes e suas duas torcidas mostraram o quão grandes são e o que representam. Um nordeste mais forte, um enorme peso de camisa e um grande duelo ao final nas quatro linhas.
Não há nada disso no futebol há muito tempo, e é estranho escrever que isso não é normal, porque deveria ser, mas não deixa de ser incrível e mágico, é o futebol, que muitos dizem que é só futebol, não mesmo...
Toda Alagoas, Brasil, vestiram as cores do CSA, que conquistou os quatro cantos com um grande futebol, uma torcida apaixonada, um modelo de gestão e um exemplo de união de um grupo por um objetivo. Seria muito bom que todos os times tivessem toda essa união que existe entre o jogadores, funcionários e diretoria, o futebol seria ainda mais disputado.
Muitos rivais vestiram a nossa camisa, mesmo que apenas em pensamento, sabem o quanto é importante a conquista desse título para o estado, mas em sua esmagadora maioria, jamais vão admitir isso, é a rivalidade. Mas não tenha dúvida que por um momento, inúmeros queriam estar naquele momento.
Depois de bater na trave com crb e ASA, tinha que ser o CSA a conquistar o primeiro título nacional do estado, esse feito era merecido, era de direito do clube Marujo, um clube que tem a glória dos maiores feitos, o maior campeão, representante do Brasil e do Nordeste numa competição internacional, tinha que ser nosso.
Esta noite nunca será esquecida, estes jogadores jamais serão esquecidos, esse momento passou uma borracha em muitos dos nossos momentos ruins, nos remedia das dores do passado, nos abraça como um pai abraça um filho, o amor pelo clube nos trouxe até esse momento, é nosso, curtam, aproveitem, torcedores, jogadores, diretores, todos merecem essa glória, é de vocês!
Um dia poderão dizer: Estive lá sem calendário, estive lá na Série D, estive na Série C e levantei a taça. Como valeu a pena... Faria tudo de novo, do mesmo jeito.

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