A noite da consagração: O CSA merecia estar nessa final


 Muito antes do jogo começar, já tínhamos uma notícia que sabíamos que não seria fácil de se digerir: Faleceu o irmão de Daniel Costa na noite anterior. Para um ser humano, com sentimentos, não é algo fácil de se lidar de jeito nenhum, um pouco depois, sabemos que a bisavó de Dawhan também faleceu, tornando o atmosfera dos jogadores ainda mais difícil. 

 E é preciso destacar que o capitão e líder do time, Daniel, tem uma importância moral absurda, pouco tempo de jogo se via, todo o time sentia. Mas não se abateu, Daniel teve personalidade e pediu para jogar a semifinal, em nome principalmente do irmão. 

 1 minuto de silêncio em campo, 1 minuto de incríveis aplausos para o capitão azulino. Para quem foi ao estádio, um arrepio diante de uma torcida tão incrível. No fim das contas, o CSA merecia demais essa final, mas ainda haviam 90 minutos de um confronto que não seria nada tranquilo. 

 O JOGO 

 Não foi um jogo comum, no início se via que o time não se encontrava bem no quesito organização. O meio de campo do CSA estava completamente exposto, a impressão que se tinha era que o azulão do Mutange jogava sem sua dupla de volantes. O São Bento começou frenético e partindo para o ataque, só a vitória interessava aos sorocabanos. 

 Diferente do retrancado São Bento em Sorocaba, o São Bento veio com uma postura altamente ofensiva, surpreendeu o CSA, que teve que se readaptar para tentar encaixar a marcação.

(foto: Ailton Cruz/ Gazeta de Alagoas)

 O CSA chegava bem em bolas paradas, escanteios bem batidos por Marcos Antônio e Daniel Costa levavam perigo ao gol de Rodrigo Viana, que com todos os méritos conseguiu fazer boas defesas. O São Bento explora principalmente onde o CSA estava vulnerável: Pelo meio.

 Aos dezoito do primeiro tempo um problema: Jorge Fellipe sente o joelho e precisa ser substituído. A torcida leva as mãos à cabeça e a placa sobe não com o substituto direto da era  Da Matta, Matheus. Em seu lugar entra Cristiano, um jovem cuja contratação foi muito questionada, vindo do CEO de Olho D'água das flores. 

 E o garoto foi a grata surpresa: Não perdeu uma bola no alto, foi preciso em todos os botes e uma zaga inteiramente  reserva não comprometeu de jeito nenhum. A dupla Cristiano/Lobão mesmo sendo reserva mostrou entrosamento, intensidade, tempo de bola e muita entrega, a falta estava apenas na saída de bola de Jorge Fellipe, incomparável. 

 O Jogo seguia, o CSA atacando e o São Bento respondendo, o duelo era intenso principalmente nas bolas paradas, Michel sempre parado com falta e Daniel cobrando com perigo, quando não era em falta, em escanteio, ambos os times não se intimidavam e estavam em busca de um gol. 

 O Segundo tempo foi mais complicado, o São Bento avançou suas linhas, assustava, mas não chegava a finalizar certo no gol, o CSA seguia tranquilo se defendendo com uma postura de marcação média/baixa, perigoso, o São Bento foi com tudo para o ataque. 

 Edinho precisou fazer incríveis duas funções: Atacar e defender com a mesma intensidade, a cobertura de Celsinho ficou por conta de  Edinho, que tinha que fazer uma recomposição incrível, o baixinho passou noventa minutos correndo de um extremo à outro sem perder ritmo e intensidade, comprovando sua qualidade de velocista. 

 Anderson Cavalo terminou expulso por falta em Edinho, mas não adiantou muito, o CSA não modificou o time e o São Bento parecia que não havia perdido ninguém. 

 Daniel Costa chutou aos oito do segundo tempo uma bola no travessão, se entra seria um golaço. O São bento respondeu com outra bola no travessão em bola parada de falta. O jogo se tornava perigoso para o CSA, que foi penalizado aos quarenta e três do segundo tempo. 

 Branquinho recebe livre um bolão de Everaldo nas costas de Raul Diogo, que parte pra tomar a bola e termina puxando o jogador dentro da área e o árbitro marca o pênalti, convertido por Everaldo. O CSA se complicou e a decisão seria nos pênaltis. Um jogo de equilíbrio foi desequilibrado por um pênalti infantil. 

 As cobranças de pênalti foi a maior aflição do torcedor azulino ao longo de 2017, tudo que não houve nas quartas, houve nas semis. As cobranças de penalidades foram de muita  emoção, o CSA marcou nos pés de Daniel Costa, Edinho, Boquita e Maxuell, Dawhan não bateu bem sua cobrança e Rodrigo Viana pegou. O São Bento teve seus gols convertidos por Maicon Souza e Rennan Oliveira, Branquinho mandou direto por cima e Mota pegou a cobrança de Everaldo, que mesmo convertendo a primeira, não foi capaz de converter a segunda, Mota foi no canto certo e pegou. 

Mota defende o pênalti batido por Everaldo (foto: Ailton Cruz / Gazeta de Alagoas)
 Aqui é preciso destacar que mesmo diante de tanto luto, mesmo diante de tantos problemas, o CSA chegou onde chegou na determinação de seus jogadores, na personalidade fortíssima de Daniel Costa, na vontade do time, na superação. Vimos um time sentido, mas não um time apático. O CSA se tornou mais um finalista e chegou o mais longe que podia nessa série C. 

 A defesa de Mota foi sensacional, digna de um grande goleiro, a cobrança de Maxuell da mesma forma, uma cobrança fria numa final, para consagrar a boa campanha do CSA. O Azulão merece estar nessa final, não pelo jogo de hoje, mas por toda sua campanha, por toda sua trajetória até chegar aqui. O CSA merece  mais que qualquer um essa final.

A festa foi sobre o goleiro Mota (foto: Ailton Cruz/ gazeta de Alagoas)

 O CSA: Mota; Celsinho, Rodrigo Lobão, Jorge Fellipe (Cristiano) e Raul Diogo; Dawhan, Boquita, Marcos Antonio (Didira) e Edinho;Daniel Costa e Michel (Maxuel).

 O Sâo Bento: Rodrigo Viana; Muriel, João Paulo, Rogério e Marcelo Cordeiro (Edu Pina); Fabio Bahia, Maicon Souza, Eder (Branquinho) e Cassinho (Rennan Oliveira); Anderson Cavalo e Everaldo.

 Nota do blog a partida: 6,0 - Foi uma partida atípica, marcada por muito luto sentido por todo o elenco, mas acredito que Flávio Araújo poderia ser mais ousado,  Gustavinho ou Maxuell antes poderiam ter feito a diferença, e ganhar minutos, faltou ousadia do técnico, mas  sobrou determinação nas cobranças. 

 O Melhor do CSA na partida: Edinho continua em uma absurda crescente, acompanhando lateral e fazendo ponta, o atacante é um exemplo de  determinação, converteu seu pênalti com frieza e com seus dribles amarelou e terminou cavando a expulsão de Cavalo, o atacante é importantíssimo nesse time do CSA.

 E AGORA?

 O CSA sai de campo vitorioso, e vai ainda mais forte contra o Fortaleza na final. Sim, mais forte. Aprendeu a lição de que nada está ganho até o apito final e teve que lidar sob muita pressão em cobranças de penalidades. 

 Vimos nas cobranças de penalidades um Daniel mesmo abalado converter com maestria, Edinho, Boquita e principalmente Maxuell, que teve em sua responsabilidade o gol que decretou a vitória do CSA. Mota mais uma vez se consagra e defende um penal, comprovando o grande goleiro que é nesse quesito. 

 Ganhamos mais um zagueiro, Cristiano entrou com vontade e fez uma grande partida, arrancando aplausos do torcedor e ao lado de Lobão, não perdendo uma bola, mais uma vez o CSA comprova que tem um elenco, mesmo com suspensões ou contusões, o azulão tem substitutos à altura e vai à final com o foco redobrado. 

Torcida ficou até após o apito final para aplaudir o time (foto: André Moura)
 Tudo que o CSA não viveu nas quartas de finais, viveu nessa semifinal, emoção, o frio na barriga, o apoio e a  torcida cantando forte, fez o palco do Rei Pelé ferver, ao fim do apito, a torcida permaneceu nas arquibancadas para aplaudir seu time, merecido, o time de melhor campanha, melhor consistência e melhor aproveitamento chega na final com emoção, mas ainda assim com muito merecimento. 

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