Falta para qualquer azulino palavras para descrever tamanha emoção. A semana começou com muita turbulência, entre interdição de estádio, passando pela saída do zagueiro Thales até a lesão de Rafinha. Nada para o CSA é muito fácil.
Essa camisa azul e branca tem um peso histórico muito forte, associe isso à uma torcida absurdamente fanática, que lotou não apenas a área visitante do estádio de Tombos, mas uma sala de cinema no shopping, diversos restaurantes e locais para conseguir ver o jogo desse time.
Que noite... Que partida... Que time! Lembro-me de que há um ano não tinhamos série e estreávamos na série D, Rafael chegou a dizer num de seus discursos: "Esse clube vai sair da série D, pra a série C, da série C para uma série B, e porque não um dia uma série A?". Ah se eu pudesse voltar à aquele momento em que tudo era apenas um sonho, bater no ombro do nosso presidente e dizer: "Você tem razão, nós podemos, hoje, nós estamos a um passo pequeno da B."
O Momento é de muita felicidade, o CSA bateu o Tombense em Tombos com autoridade, atropelou o time mineiro e está a um jogo de conquistar o tão sonhado acesso à série B. Mas é preciso lembrar que ainda faltam 90 minutos, e futebol é algo imprevisível, se o CSA jogar como jogou hoje, estaremos na B na próxima segunda esse mesmo horário.
O JOGO
Eu não seria clubista em dizer que o CSA mostrou ter um time muito mais qualificado que o time da Tombense, mas é preciso salientar que o time mineiro veio desfalcado, ainda olhando por esse mesmo ângulo, o CSA veio desfalcado de seu lateral esquerdo titular e seu zagueiro titular acabou voltando para o internacional.
O CSA entrou em campo com um time diferente dos últimos: Mota, a linha de quatro era formada por Raul e Celsinho nas laterais e Leandro Souza e Jorge Fellipe na zaga, a dupla de volantes permanecia Boquita e Dawhan, assim como Daniel Costa centralizado, Michel mais adiantado e nas pontas Edinho pela direita e Marcos Antônio pela esquerda.
O início do jogo foi de estudo, Tombense e CSA se estudavam, com a Tombense tentando de todas as formas furar o bloqueio defensivo do CSA. Em vão, a defesa do CSA entrou muito bem postada e conseguiu segurar bem o time do Tombense, principalmente pelo meio, onde o CSA mantinha sua maior concentração de força.
Numa absurda crescente, Michel foi peça fundamental no jogo, se movimentando, indo de um canto à outro, voltando para buscar a bola e chamando faltas para si. Assim conseguiu uma vantagem que seria decisiva para o CSA: Natan tomou o primeiro cartão amarelo após matar contra-ataque de Daniel Costa num rapa, termina tomando drible de Michel e tomando o segundo amarelo, expulso por carrinho temerário em Michel.
Um a menos em campo, a Tombense começa a sentir a pressão do time azulino, que começa a crescer na partida, aos 42 Michel testa e o goleiro Darley faz uma defesa incrível contando com ajuda do poste. Mas não durou muito, Marcos Antônio cobra escanteio no primeiro pau e Michel toca de cabeça pro fundo do gol, o CSA na pressão fazia 0x1 no time da casa.
O atacante fez a diferença, tomou a falta que expulsou Natan, testou a bola que terminou em escanteio e fez o gol vindo desse meio escanteio. Boa fase do atacante!
Quando iniciou o segundo tempo, o CSA mostrou uma faceta que não conhecíamos, mas que ao que soube é uma características dos times de Flávio Araújo: Posse de bola. Muita posse de bola. Lembra (reservadas as devidas proporções) aquele estilo Barcelona de jogar, a bola tocada até encontrar espaços para arremate. Não oferecer contra-ataques, pressionar em cima, com direito inclusive à Daniel Costa de Falso 9 nos últimos minutos, diante das entradas de Didira, Caíque e Michel Schmöller.
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| Tombense x CSA, em Tombos (Foto: Raphael Lemos/Globo|Esporte.com) |
Flávio foi inteligente, numa possível reversão de penalidades, Dawhan poderia acabar expulso, principalmente por já ter um amarelo. Ele saca o jovem volante e em seu lugar coloca Michel Schmöller, que quando joga nessa posição do Dawhan, a do primeiro volante, aí sim joga muito bem.
E funcionou. Dessa forma vimos uma triangulação interessante, iniciada na esquerda por Raul Diogo, encontra Daniel dentro da área, que de costas para o gol, rola a bola para Boquita chutar uma bomba e ampliar o placar para o CSA ter uma vantagem gigantesca na caminhada à série B.
O CSA: Mota, Raul Diogo, Leandro Souza e Jorge Fellipe, Celsinho; Dawhan (M.Schmöller) e Boquita; Marcos Antônio (Caíque), Daniel Costa e Edinho; Michel (Didira)
O Tombense: Darley; Marrone, Ednei, Wellington Carvalho e Wellington; Natan, Allan Dias, Everton (Lucas de Sá), Ewerton Maradona (Everton Dias) e Everton; Keké e Carlos Neto (Gelson Mello)
O Melhor do CSA: No geral o time todo jogou muito bem, mas Michel supera muito as expectativas, sofreu a falta que ocasionou a expulsão de Natan, complicou o tombense, cabeceou a bola que gerou o próprio gol em seguida. O artilheiro cresceu num momento e vive um lindo momento com a camisa do Azulão. Menção honrosa ao Daniel Costa que mais uma vez fez um partidaço, dando assistência e criando situações. No geral, toda a equipe foi muito bem.
E AGORA?
O CSA tem mais uma semana para o jogo de volta, a vantagem é enorme sim, mas é preciso ponderar que ainda faltam 90 minutos, e que o CSA precisará consolidar essa vitória. Acredito que o Tombense não consiga fazer 3x0 no Rei Pelé, mas é preciso muita cautela, estamos falando de um esporte em que muitos milagres aconteceram principalmente nessa série C.
O Artilheiro Michel cresceu num momento lindo, decidindo partidas e conseguindo ser um dos melhores atacantes que o CSA teve nos últimos anos. Atacantes costumam ser decisivos em jogos importantes como Michel vem sendo, atacando espaços, saindo como uma flecha, finalizando.
O sistema defensivo do CSA pode até ter perdido Thales e Rafinha, mas se postou muito bem e conseguiu sair sem ser vazado, Leandro Souza resgatou sua confiança e conseguiu mostra que SIM, tem muito do Leandro de 2016 nele e que pode sim ser titular no CSA nessa reta final.
A vaga está no colo do Azulão, mas ainda não há nada definido, ainda temos mais 90 minutos de emoção e se Deus quiser, fazer a festa! Vamos segunda-feira tomar o Rei Pelé!

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