Um CSA bem modificado e um dilema: Falta finalização


 Antes de falarmos do jogo em si, frisemos duas coisas: O CSA antes de começar a competição tinha a missão inicial de se manter na série C, e a torcida até certo ponto compreendia bem isso, mas a medida que os resultados bons foram chegando, o CSA se tornou mais cobrado, seja pelo investimento, seja pela baita campanha no turno de ida. 

 Então é preciso se entender  que se antes de iniciar a série C, a não classificação do CSA não seria tratada como é hoje: Se o CSA por uma hecatombe ou um desastre não se classificasse seria uma tragédia. Perceba que de um ponto a outro o CSA foi do inferno ao céu, mas para muitos torcedores ainda não é o suficiente. 

 A cobrança sobre Ney da Matta é compreensível, mas a fórmula dele de trabalhar é diferente da maioria dos treinadores: Ney da Matta valoriza cada ponto, e prefere a cautela à ousadia, e teme mais perder um ponto à arriscar ganhar os outros dois. Em muitos momentos essa fórmula funciona, mas a torcida do CSA é muito presente, e Ney da Matta  sabe  que a reta final agrava qualquer tensão.

 Mas as cobranças devem ser por melhoras, não por saídas, principalmente numa fase tão avançada.  A série C não é uma competição fácil e muito menos os adversários estão mortos.Vamos ao jogo:

 Um jogo que o maior adversário do CSA foi ele mesmo.

 O JOGO

 A escalação veio bem diferente: Com muitas baixas (Michel, Dawhan, Marcos Antônio e Gustavinho), Ney da Matta trocou as peças e deu uma diferente estrutura ao CSA. Raul Diogo não vinha como lateral, mas como um meia avançado, acredito que a estratégia de Ney da Matta foi a de dar ao CSA mais velocidade e intensidade com Raul pela esquerda e Edinho pela direita, com Angulo centralizado no lugar de Michel Douglas.

 Porém o que aconteceu foi exatamente o oposto.

 A intensidade deu lugar à uma transição lenta, sem objetividade. O Moto Club começou a pressionar o CSA nos primeiros minutos e uma série de faltas próximo da área azulina sacramentou o erro fatal de tantos erros bobos: A falta é cobrada e num toque errado o zagueiro Jorge Fellipe raspa na bola, que trai Mota e acaba entrando. 

 A noite não começava bem para o azulão do Mutange. Mas o Moto Club mostrou todo seu desespero diante do líder e recuou completamente. Em cobrança de falta, Daniel Costa manda caprichosamente na trave direita do goleiro e por pouco a bola não entra. 

 Mas se o Moto Club se acovardou, o CSA foi ineficiente. Raul Diogo não se entendia com Rafinha e ambos errava inúmeros passes. Rosinei não jogou mal, mas como volante o CSA sentiu muito a falta de Dawhan, o volante que ataca espaços, que faz a linha de quatro e que rouba a bola com qualidade e toca com a mesma qualidade. 

 O ataque inexistiu, arrisco a dizer nos 90 minutos da partida. Não me recordo de um chute de um dos atacantes do CSA no alvo, salvo nos últimos minutos com as modificações, mas vamos por parte: O CSA precisou inverter os papéis com o Moto Club e ir pra cima, propor o jogo, furar o bloqueio do clube maranhense. 

(foto: Lucas Almeida / L17 Comunicação)

 Muita dificuldade. Arrisco a dizer que o CSA jogou contra o Moto Club retraído e contra si mesmo diante de tanta dificuldade.

 O trio de ataque foi um dos mais inofensivos das últimas partidas: Raul (que não é atacante de fato), Angulo (uma peça nula no ataque durante todo o jogo) e Edinho (muita correria por nada). Terminou, claro, indo mal. Edinho conseguiu acertar um drible e sai cara a cara com o goleiro, chuta completamente errado pra fora sem perigo para o goleiro. Raul, e Angulo sequer conseguiram finalizar a gol, mas isso também se deve  muito à retranca maranhense. 

 Latente a falta que faz Michel no ataque. Mesmo com todas as limitações impostas, finaliza, cria, faz bem o pivô e puxa marcação. Infelizmente para Angulo, temo dizer que na minha visão Michel é peça fundamental desse time do CSA e não deve ser sacado. 

 Numa falta temerária, o lateral Diego Renan acaba expulso por dar uma tesoura em Rosinei. Isso desequilibra as coisas e o CSA parte com tudo pra cima e empurra o Moto Club para o seu campo de defesa. O CSA criava, girava, tentava, mas a bola não entrava. 

 Em parte digo aos meus leitores que o zagueiro Michel fez uma grande partida e tirou inúmeras bolas da defesa que poderiam ser promissoras, mas isso não tira a falta de finalizações no jogo. Isto é, o CSA não chuta de média-longa distância. O resultado de um chute desse porte na última partida resultou em gol. 

 As substituições foram até interessantes, Vanger como um verdadeiro atacante de beirada, causou mais problemas ao Moto Club do que Raul e fez esse papel de finalizador, mas pouco tempo em campo renderam em poucas chance e quase quase numa dessas a bola entra e, Vanger entra na área e o goleiro Saulo antecipa com muito perigo. 

 Caíque na minha concepção não era uma boa pedida, nas últimas partidas não entrou nada bem, nessa poderia ter sido classificado assim, mas:  Ainda não entrando muito bem e cometendo muitos erros, cruza a bola na área que resultou no gol do zagueiro Jorge Fellipe.

 No drama aos quarenta e sete minutos o CSA conquista mais um ponto, mantém a invencibilidade contra o Moto Club e contra os times do Maranhão na série C, além de se manter líder (Já que o Fortaleza empatou com o ASA). 

 O CSA foi a campo com: Mota; Dick, Thalles, Jorge Fellipe e Rafinha; Boquita, Rosinei e Daniel Costa (Caíque); Raul Diogo (Vanger), Edinho (Maxuell) e Angulo.

 O Moto Club foi a campo com: Saulo; Diego Renan, Michel, Lula e Diogo Oliveira; Lorran, Danilo Bala e Felipe Dias; Paquetá (Tote), Alex Henrique (Valber) e Daniel Barros (Toni Galego).

 Nota do blog à partida: 6,0 - Um resultado ruim pelo fato do adversário ser muito inferior, estar com um homem a menos e retraído. Se não fosse o gol contra, o Moto Club não teria chutado UMA única vez a gol.

 O Melhor do CSA na partida: Jorge Fellipe falhou no gol do Moto Club, mas se redimiu completamente fazendo o gol do empate. 

 E AGORA?

 O resultado não foi ruim diante das circunstâncias de  forma alguma: Quatro entradas forçadas. Mas foi ruim diante de um Moto Club fraquíssimo com um homem a menos. Porém o Moto Club recua e o CSA não consegue furar o bloqueio. 

 Nada de desesperos e lamentações, bola pra frente que sábado terá jogo importante em casa.

 Preocupa essa falta de finalizações, Michel mesmo pra fora ou nas mãos do goleiro finaliza e nesse trio de hoje não vimos uma única finalização. Edinho, Angulo e Raul formaram um trio ineficiente e que em muitos momentos pareciam os três perdidos em campo. 

 É preciso lembrar que Gustavinho, agora lesionado, é a primeira opção de Ney da Matta. Edinho é um velocista e só, não consegue dar sequência a jogadas e carrega a bola sem objetividade, não olha o jogo ao redor e não finaliza bem, pela altura não ganha bolas no alto. 

 Talvez este jogo fosse um jogo para Didira jogar na meia em vez de Raul, mas não sabemos como andam os treinamentos para termos uma opinião 100% formada. É latente que o time de Ney da Matta é aquele que jogou o segundo tempo contra o Botafogo - PB, a formação eficiente na linha de três com Michel centralizado (Gustavinho - Michel - Marcos Antônio). Os três estão lesionados. 

 Então ao torcedor e leitor do blog digo: O problema não está exclusivamente em Ney da Matta, embora tenha cometido alguns equívocos, mas seus principais atacantes estão no DM e para que o ataque do CSA continue sendo letal, esses três são fundamentais.

 Esperemos que para domingo pelo menos Michel esteja de volta para dar mais qualidade ao ataque, e como artilheiro do CSA na série C, volte a fazer gols.

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