Não apenas 11


 Ontem o CSA entrou em campo pela fase preliminar do Nordestão 2018. O adversário? O velho conhecido da torcida azulina, Parnahyba. Aquele mesmo Parnahyba que mediu forças com o CSA em 2016 pelo campeonato brasileiro da série D e na estreia do azulão o venceu. 

 Aí está um abismo: O CSA em 2016 com o time titular perde para o Parnahyba, em 2017 com o time reserva o vence. O torcedor azulino abre um sorriso nesse momento, quando o CSA deixa de medir forças  com o Parnahyba e agora está degraus acima. Sim, o CSA era comparado ao Parnahyba pela situação de 2016, não pela tradição. 

 Este ano o CSA demonstra que seu patamar subiu muito, e o teste que comprova isso aconteceu ontem no precário estádio Mão Santa, um gramado altamente castigado que chegou ao cúmulo de um dia antes do jogo receber um show de Wesley Safadão. Bizarro.

 O JOGO

 Dos considerados titulares, apenas o menino Dawhan viajou com o clube e esteve no time titular. Com seus vinte e dois anos, colocou suas chuteiras e mesmo após jogar três dias antes, estava pronto para ser titular.

 O time foi um time mais leve, com Celsinho e Raul nas laterais, Leandro e Lobão na zaga, Dawhan e Didira no miolo de volância (ao qual já dizia, Michel Schmoller e Dawhan tem características muito parecidas, seria um erro colocar ambos juntos no mesmo time, Ney da Matta viu isso.), Caíque e Francisco Alex na linha de meias, Vanger e Raul nas pontas e um Maxuell centralizado. 

 O time foi acertado, esse mesmo é o time alternativo, Ney da Matta não só o encontrou, como o encaixou com muita maestria.

 O time da casa até pressionou, mas o gramado atrapalhou inclusive o time da casa, que chegou até a quase abrir o marcador, numa cabeçada de Gênesis após cobrança de lateral, mas o seguro goleiro Cajuru foi buscar e fez a defesa, o goleiro continua passando bastante segurança.  

 Caíque era o principal articulador do azulão, caindo pela esquerda, serviu com açucar primeiro a Didira, que mandou por cima, depois a Maxuell, o samurai, que cabeceou pra fora sozinho. O sistema ofensivo do azulão mais uma vez mostrou pouca precisão e não conseguia abrir o marcador. 

 Mas aos quarenta do primeiro tempo viria o gol salvador. Raul cobra escanteio, Maxuell desvia de cabeça e a bola sobra para Lobão, que com toda calma, categoria e frieza parou, ajeitou e chutou forte de perna direita no gol do Parnahyba, o zagueiro mostrou uma absurda inteligência na hora da definição.

(Foto: Wenner Tito /Globo Esporte)

 O zagueiro fez o gol, mas foi em muitos momentos descuidado e cometeu algumas falhas individuais, antes do gol, agarrou Gênesis na área e o derrubou, pênalti na minha visão, mas o CSA não tem nada a ver com isso e Gênesis toma cartão amarelo. 

 As alterações não modificaram tanto o CSA, mas a entrada de Matheus Lima sem muito ritmo de jogo quase quase coloca o Parnahyba de volta no jogo. O zagueiro erra na saída de bola, Pindaré livre livre e com o goleiro Cajuru fora do lance, perde uma chance inacreditável e o CSA agradece. 

 Angulo entra já no final do jogo, dá um passe açucarado para Vanger, que manda nas mãos do goleiro um chute fraco. Não deu tempo para mais nada.

 Fim de jogo, vitória do Azulão. 

 CSA foi a campo com: Alexandre Cajuru, Celsinho, Rodrigo Lobão, Leandro Souza e Raul Diogo; Dawhan, Caique (Cristiano), Didira e Francisco Alex (Matheus Lima); Vanger e Maxuell (Daniel Angulo)

 O Parnahyba foi a campo com: Naylson, Thiago Granja, Gilmar, André Nunes e Thiaguinho(Lenílson); Ramon, Fred e Jefferson Maranhense (Júnior Pindaré); Fabinho, Gênesis e Dênis (Júnior Juazeiro)

 Nota do blog a partida: 8,0 - Para as condições absurdas do campo do Mão Santa, o CSA fez muito bem, mas é preciso demais que o CSA acerte o pé, cria, cria e não finaliza bem.

 O Melhor do CSA na partida: Caíque tomou a responsabilidade de ocupar o lugar de Daniel Costa como organizador do time e fez isso de forma muito efetiva, inacreditavelmente o CSA por conta de Caíque, conseguiu rodar a bola no precário campo do Mão Santa. 

 E AGORA?

 O CSA agora tem a vantagem de jogar por um empate no Rei Pelé, e precisa ter cuidado com essa vantagem e no jogo de volta vencer da mesma forma. Me surpreende que o time reserva do CSA esteja tão bem, de fato não são apenas onze jogadores de um time titular, é uma equipe com grandes jogadores e um grande salto de qualidade de um ano para o outro. 

 Caíque parece ter duas personalidades, uma quando joga em casa no Rei Pelé e outra quando joga fora. O meia em todas as partidas que jogou fora de casa entrou muito bem, deu assistências, fechou bem o meio de campo, mas em casa foi ineficaz e errando passes bobos, espero que isso melhore com o tempo, vejo um certo potencial nesse jogador. 

 O time em si fez uma grande partida, Leandro Souza voltando a jogar muito bem, sendo aquele Leandro que vimos em 2016, assim como sua dupla Lobão, que se consagrou com o gol da vitória. O ataque contava com Raul pela esquerda e Vanger pela direita, assim como Maxuell centralizado, no geral uma boa partida, mas com muitas finalizações promissoras desperdiçadas.

 Dawhan e Didira fizeram mais um jogo muito bom e taticamente perfeitos, o garoto Dawhan mostra que não é apenas titular, mas é o maior pilar do CSA nessa temporada, o garoto jogou mais uma vez uma grande partida, assim como Didira, que desarmou, atacou e defendeu na mesma intensidade. 

 O goleiro Cajuru vem mostrando muita regularidade, boas saídas de bola, uma grande visão de jogo e um tempo de bola quase perfeito. Mota que se cuide, o goleirão ainda não foi vazado nessa temporada e pode colocar Mota no banco. 

 Para todo torcedor que almejava um calendário, hoje temos muito mais que isso, um calendário extenso e dois times com grande qualidade. O azulão tem tudo para conquistar não só a vaga da Copa, mas também a vaga no campeonato brasileiro da série B.

Comentários