Uma tarde para ser esquecida, mas não ignorada



 Para muitos torcedores, o empate com o Sampaio Corrêa na tarde deste domingo teve um sentimento de fracasso ou de derrota, mas entendamos que não é bem assim. Certos fatores culminaram na má atuação do CSA na tarde do dia 23 de julho, mas alguns pontos precisam ser compreendidos para que se entendam como isso de fato aconteceu.

 O JOGO

 Iniciando o jogo, vimos na escalação uma coisa incomum: Daniel Costa no banco. Ratifico aqui o que já havia postado há algumas semanas: Por mais que Daniel atue mal, a função que ele tem no CSA não é suprida por nenhum outro jogador. O que mais se aproxima disso é Boquita, que por conta do terceiro amarelo em Arapiraca, não pôde atuar, o que fez decair ainda mais a condição de bola no chão do CSA.

 A falta desse camisa 10 é tão latente, que o CSA se viu sem meio de campo, a bola girava pelas laterais e ficava travada nos extremos, vencendo uma ou outra pela velocidade de Edinho, que pelas suas próprias limitações não fazia mais do que correr e cruzar bolas sem direção. Michel Douglas também não conseguiu atuar bem pelo lado esquerdo (como canhoto, só finalizaria melhor se estivesse no lado direito como jogou contra o ASA, pela esquerda só conseguia cruzar).

 As bolas começavam a ser cruzadas de qualquer forma desordenada na área, e o latente problema no meio preocupava ainda mais: Os contra-ataques do Sampaio Corrêa vinham com toda força e velocidade possível, sempre pela esquerda e chegando com perigo, a estreia de Michel Schmöller não poderia ter sido pior: O volante não tinha ritmo nenhum de jogo, lento, não conseguia sair para o jogo por ter características de primeiro volante, assim como Dawhan tem essa mesma função, terminou que os dois volantes ficavam absolutamente presos.

 Schmöller foi visivelmente muito mal sequer voltou do intervalo.

 Angulo foi sacrificado pelas consequências da falta desse meio de campo e precisou ser sacado no intervalo, o CSA teve que se remontar para a entrada do seu camisa 10, que resolveu o problema da ligação do meio com o ataque, e não apenas isso: Numa cobrança de falta, Daniel Costa fez a pintura que colocou o CSA na frente no marcador. 

 O problema ocorreu depois, o CSA visivelmente melhorou muito depois das modificações, mas não esperava que o Sampaio viesse para cima depois das modificações, seu técnico retira um volante e coloca um atacante. O Sampaio veio com tudo pra cima do CSA e com toda força e velocidade possível atacava. O grande erro do CSA foi confiar demais em sua sólida defesa. 

 (Foto: Ailton Cruz/Gazeta de Alagoas)

 Não é que o CSA se retrancou, o CSA precisou se defender pela situação, não soube reagir ao Sampaio agressivo que veio depois das modificações, não esperava uma reação, essa reação veio e o CSA tomou o gol numa falha de seu zagueiro, que perde no alto e vê o goleiro Mota ter as redes estufadas. 

 Mota foi uma das peças fundamentais para esse empate, que no geral foi um resultado positivo, já que o segundo tempo o Sampaio teve as melhores oportunidades para desempatar o jogo e sair vitorioso.

 O problema não foi Angulo, Schmöller ou qualquer jogador, o principal problema foi a modificação em peças fundamentais no sistema estabelecido anteriormente por Ney da Matta. Daniel Costa e Boquita fizeram falta, o primeiro por opção técnica corrigida no intervalo, o segundo por ordem disciplinar. 

 Mas o saldo ainda é positivo, o CSA precisará mostrar contra o Botafogo - PB tudo que não mostrou este domingo, ainda que não tenha jogado bem, o CSA se mantém líder dois pontos acima do Fortaleza, mas terá que ter o cuidado com as reviravoltas que essa série C tem.

 O CSA foi a campo com: Mota, Dick, Thalles, Jorge Felipe e Rafinha; Dawhan e Michel Schomoller(Gustavinho); Edinho, Didira e Michel Douglas; Daniel Ângulo (Daniel Costa)

  O Sampaio foi a campo com: Alex Alves, Pedro Costa, Odair Lucas, Maracas e Esquerdinha; Zaquel (Fernando Sobral) e Diego Silva; Marlon(Wellington Rato), Hiltinho (Valderrama) e Felipe Marques; Isac

 Nota do blog a partida: 4,0 
 O melhor do CSA: Mota foi o responsável pelo empate, se não fossem as defesas do goleiro, o CSA poderia ter saído do Rei Pelé sem sequer um ponto. Daniel Costa também deve ser destaque pelo gol, mas não conseguiu fazer muito mais.

 E AGORA?

 O CSA tem uma semana para corrigir os erros e volta a campo no domingo contra o Botafogo - PB, com a volta de Boquita o azulão tem uma melhor saída de bola e um melhor passe. Não perde ninguém para a partida e deve novamente voltar com modificações, Ney da Matta deve corrigir os erros de escalação deste jogo retornando à uma formação anterior que vinha dando certo.

 Acredito que Daniel Costa deva voltar ao time titular e iniciar o jogo de domingo na escalação principal, Ney da Matta deverá trazer Boquita de volta ao time titular e é possível que Thales seja sacado para a volta de Lobão ao time titular, é possível. 

 Já o ataque pode contar com a volta de Gustavinho, visto que Edinho não iniciou bem a partida, mas Gustavinho terminou deslocado e também não jogou tão bem fora de sua posição nas pontas. Michel e Angulo jogaram bem dentro de suas limitações, mas ficou claro que Michel rende muito mais pelo meio do que muito aberto pelas pontas, isso coloca uma interrogação na cabeça de Ney da Matta: Angulo, o tão aclamado camisa 9 ou o produtivo Michel como centroavante? Complicado. 

 Ney da Matta precisa encontrar sua formação ideal (se já não havia a encontrado), e focar nela, se modificar demais a estrutura do time, a tendência será a absoluta queda de rendimento que vimos na tarde infeliz deste domingo.

 O CSA precisa reagir a o que está acontecendo e corrigir o quanto antes, mas nada é desesperador ou digno de vaias, o time não se encontrou nas partidas em casa e terminou amargando três empates, mas confio que contra o Botafogo o Azulão conseguirá sair dessa maré ruim, afinal, se não for sofrido até o último momento, não é CSA.

Comentários