Quem esperava um jogo fácil, teve uma surpresa ao se deparar com um diferente Cuiabá no estádio Rei Pelé. O time é diferente de tudo que o CSA já havia enfrentado até aqui: Retrancado até o último homem, joga inteiramente em seu campo defensivo, não se expõe muito e joga no contra-ataque, mas com uma ressalva: Não se lança ao ataque, dois ou três jogadores ultrapassam as linhas e todo o restante do time permanece na defesa.
O time do CSA ainda precisou lidar com a significativa perda do volante Boquita (mais adiante falaremos sobre o que acarretou essa perda), e de seu substituto imediato Rosinei, o que levou Ney da Matta a escalar um time com a volância bem diferente e longe do que treinava.
O JOGO
A expectativa da maior parte da torcida seria de uma vitória fácil para o Azulão, porém o CSA encontrou um Cuiabá fechadinho, com marcação forte e com um intenso meio de campo composto por um sistema defensivo forte, que diminuiu espaços e reduziu o campo para o CSA. Isso não impediu que o Cuiabá avançasse quando pudesse, mas com muita cautela. Aos 9 Cristiano chuta uma bomba e Cajuru faz uma grande defesa, um minuto depois em cobrança de escanteio, Bruno cabeceia e Cajuru tira com os olhos.
Ficou latente a falta que Boquita fazia na saída de bola do CSA. Sem Boquita, o CSA ficou engessado no meio de campo, Marcos Antônio fazia a ligação direta para o ataque, mas com muita dificuldade, em bolas em sua grande maioria aéreas e sem a qualidade de bola correndo ao chão, a perda do volante fez o meio campo do CSA sentir essa saída e errar muito.
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| CSA e Cuiabá empatam no Rei Pelé (Foto: Ailton Cruz/Gazeta de Alagoas) |
Quando o CSA começou a se encontrar, achou as brechas necessárias para chegar à meta dourada, e iniciou uma série de desperdício de chances, uma com Michel, que recebeu pela esquerda e de chapa tirou do goleiro, mas acabou tirando demais e mandou pra fora uma chance incrível. Daniel Costa bateu uma falta rasteira e o goleiro do Cuiabá salta nos pés de Rodrigo Lobão para defender.
Mas as duas melhores chances do CSA viriam uma após a outra: Gustavinho aparece por trás de Michel, ajeita o corpo e cabeceia pra fora com o goleiro batido. Mais um ataque nasceu de um contra ataque puxado por Daniel Costa, Michel recebe na direita e por elevação dá uma linda assistência para Dawhan, que aparece como homem surpresa, mas chuta em cima do goleiro do Cuiabá, as chances ficavam mais em evidência e o CSA não conseguia aproveitar.
O Cuiabá percebia os bons momentos do CSA e fazia o antijogo constantemente, até irritar a torcida azulina, que já estava impaciente. Com o segundo tempo o CSA foi com tudo pra cima: Ney da Matta tira Gustavinho que sente e em seu lugar promove a estreia do pequenino Edinho pela ponta direita. E o pequenino na velocidade é implacável e venceu quase todas, mas lhe faltou a técnica para conseguir desenvolver as jogadas, correu muito e fez bons cruzamentos.
Aos 7 Lobão marca para o CSA, mas estava em posição irregular, porém isso mostra como o CSA vinha martelando o Cuiabá. O zagueiro algumas jogadas depois protagoniza um lance bisonho: Em escanteio batido por Marcos Antônio, Dawhan manda de cabeça e a bola tinha destino certo, inacreditavelmente o zagueiro Lobão tira a bola como se fosse um zagueiro do Cuiabá, bem bizarro.
O Cuiabá chegou em seu melhor momento pouco depois, quando num chute venenoso de Fábio, o goleiro Cajuru defende em dois tempos e quase sobra a bola nos pés do atacante do dourado.
Ao meu ver é complicado se analisar uma partida tão encardida: Se inicia com o CSA tendo problemas com o volante titular e o suplente, e termina essa responsabilidade no colo de Didira, que não vive um grande momento. O problema da saída de bola fica latente e o articulador do time Daniel Costa erra demais, e quando o meia erra, termina não apenas o CSA perdendo oportunidades, mas jogando-as nas mãos do Cuiabá, que quando Daniel perdia a bola no meio, tinha um poder de contra-ataque rápido.
Ney da Matta no segundo tempo tenta corrigir esse problema e saca Daniel Costa colocando em seu lugar Caíque, que mesmo após uma boa atuação em Salgueiro, novamente entra mal e se esconde no jogo, não consegue dar sequência a jogadas e perde muitas bolas no meio, não corrige o problema que vinha tendo Daniel e acirra o problema do meio de campo.
Vanger pouco produz também ao entrar, em muitos momentos em que o CSA precisava de bolas na área, Vanger abusava de tentar driblar ou pedalar em frente aos defensores do Cuiabá, dando tempo da zaga se recompor.
Já Edinho entrou muito bem e deu ao CSA uma absurda velocidade que eu acredito que não via há muito tempo, o pequenino muitas vezes vencia corridas absurdamente longas e criou muitas boas situações cruzando na área, a entrada do meia incendiou o jogo e foi a única substituição que realmente teve um efeito visível, acredito que o meia possa ser bastante útil no decorrer da partida, só ficou devendo em finalizações a gol.
O CSA foi a campo com: Alexandre Cajuru;Dick, Rodrigo Lobão, Jorge Fellipe e Rafinha;
Dawhan, Marcos Antônio, Didira (Vagner) e Daniel Costa (Caique);Gustavinho (Edinho) e Michel.
O Cuiabá foi a campo com: Douglas Dias; Bruno Moura, Pitty, Douglas Mendes e Rafael Estevam;
Carlão, Beleu, Alê (Gedeilson) e Dakson (Marquinho); Cristiano (Fábio Souza) e Bruno Sávio.
Nota do blog a partida: 7,0 - O CSA poderia ter saído com a vitória, teve inúmeras chances desperdiçadas e empatar em casa nunca é algo bom, mas a postura do time foi de mandante e mesmo com o empate, o CSA segue firme como líder, o que ameniza as coisas ainda mais é que seus adversários diretos na batalha pelo topo perderam, confortando o azulão no topo.
O melhor da partida: Em um jogo de muita criação e nenhum gol, o detalhe que faz toda a diferença é a solidez de Alexandre Cajuru na meta azulina, que defendeu algumas bolas difíceis e pode demonstrar sua qualidade na ausência de Mota, mais uma vez o goleiro se sobressai e consegue assumir a titularidade do CSA com segurança. Menção honrosa ao zagueiro Jorge Fellipe, que continua fazendo grandes partidas.
E AGORA?
Vejam só, é difícil dizer a um torcedor que tente entender o resultado, mas afirmo que mesmo o CSA perdendo chances reais de gol, o Cuiabá tem uma forma de jogar que incomoda e não é a toa que é o recordista em empates principalmente fora de casa: Sete absurdos empates e quatro deles fora de casa. É notório que o Cuiabá tem essa forma de jogar, retrancado e retraído no seu campo de defesa em pelo menos duas linhas de quatro e permitindo que dois homens de frente avancem, o CSA martelou e não conseguiu furar o bloqueio.
E quando conseguia furar esse bloqueio, o goleiro Douglas operou alguns milagres no Trapichão, conseguindo defender duas cobranças de faltas fortíssimas. Isso redobra o que já afirmei acima: O Cuiabá é um time montado para se defender, não para atacar. Ele abdica de atacar, só ataca quando sofre um gol e precisa sair, isso ficou latente nos jogos contra o Remo e contra o Fortaleza, quando o Cuiabá sofre o gol e parte para cima e empata, mas volta a se retrancar e joga por uma bola.
Acredito que o resultado pode não ter sido bom, mas dos resultados ruins, esse é o menos pior e é compensado pelo jogo em Salgueiro. Com as vitórias de Moto Club, Salgueiro e Sampaio Corrêa, o CSA continua liderando o grupo com uma folga de três pontos e termina o turno de ida com um saldo positivo e como o primeiro colocado.
Para\o jogo contra o ASA o CSA perde Jorge Fellipe e Dick, ambos suspensos com o terceiro cartão amarelo, pode perder também Gustavinho que sentiu a coxa. Porém deve contar com os retornos de Boquita e com a regularização de Daniel Angulo, que deve sair nos próximos dias, inclusive treinou entre os titulares para esta partida, infelizmente não conseguiu atuar. Ney da Matta terá uma bela dor de cabeça para conseguir remontar o time para sábado e deve promover algumas mudanças.

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