Sim, o CSA entrou em campo não apenas contra o Fortaleza. Entrou em campo contra toda a onda de pessimismo que rondava o CT Gustavo Paiva. A semana foi difícil, ex-jogadores iniciaram uma campanha ao mesmo tempo, entre reivindicações salariais explícitas e exposição de bastidores de dispensado para parte da mídia (que espremeu notícia a notícia e chegou ao cúmulo de levantar enquetes), torcida tentou ignorar e lutar contra tais disparates, que no último dia chegou ao cúmulo de envolver nomes de dois jogadores em uma suposta briga.
Balela.
Torcida e clube deram as mãos apesar da campanha de diversos lados ser forte contra o clube marujo, que não se abateu e continuou sua caminhada e treinamentos, se blindou de tais absurdos e permaneceu no caminho certo, afinal enfrentaria o rei da série C e o time com maior folha salarial entre os times do grupo A da série C, o tão esperado Fortaleza.
O JOGO
É preciso destacar aqui como é linda a torcida azulina, que mais uma vez deu um espetáculo nas arquibancadas e lotou o estádio Rei Pelé, cantou os noventa minutos e embalou seu time rumo à vitória. Nada é mais forte no CSA que o poder de sua grande torcida.
Antes de enfrentar o Fortaleza, havia visto alguns jogos do time e lembro-me de pensar comigo que o ataque do Fortaleza era mortal, ao contrário da defesa, que é perigosamente confusa, mais especificamente apenas um zagueiro bom: Liger é o destaque do time do Fortaleza defensivamente, já Rodrigo Mancha não acompanha o companheiro de zaga.
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| Michel mantém grandes atuações (Foto: Ailton Cruz/Gazeta de Alagoas) |
O técnico Ney da Matta estudou o time do Fortaleza e escalou um CSA muito rápido, Gustavo pelo lado direito, Michel centralizado e Marcos Antônio pela esquerda, o que é incomum quando se tem um atacante destro, como Gustavo, que provou ser um grande finalizador ambidestro, característica incomum entre grandes atacantes do futebol mundial, aos quais normalmente ajeitam para a perna preferencial antes de bater.
Nesse quesito de velocidade o CSA todo o primeiro tempo venceu o Fortaleza, que teve com seus zagueiros uma grande dor de cabeça com Michel, que mesmo tendo o biótipo de centroavante (grande, brigador e pesado), vencia na velocidade, a explosão do atacante é algo muito positivo, a evolução física do time como um todo melhorou muito.
O Azulão foi à campo num 4-2-3-1, com Michel mais a frente, Daniel Costa centralizado, Gustavo pelo lado direito, Marcos Antonio pelo lado esquerdo, Dawhan e Boquita, assim como Dick e Rafinha nas laterais e a dupla de zaga foi Jorge Felipe e Thales, em certos momentos no ataque, o CSA agredia com um 4-3-3, com Daniel Costa voltando a marcar e ajudar no meio de campo.
O Fortaleza até que tentou, em determinados momentos chegou a jogar num 3-4-3, e se desdobrou num 3-5-2, tentando passar pelo bloqueio defensivo do CSA. Incrível aqui eu escrever que o bloqueio funcionou, o meio campo do CSA foi eficiente na marcação, Dawhan, Boquita, Daniel Costa, Marcos Antônio e Dick, todos estavam vencendo o poderoso ataque do Fortaleza, que se viu sem espaços e apelava para as bolas paradas.
Quando o Fortaleza conseguia passar pela marcação do meio de campo, outra parede chegava: A dupla de zaga Thales e Jorge Felipe casou como uma luva, Jorge Felipe ganhou TODAS as bolas disputadas no alto, com seus 1,95 m, o zagueiro não só ganhou todas as bolas no alto, mas também lutou pela sua titularidade, mostrando que não brinca em serviço, sua saída de bola é boa e sua defesa em bolas aéreas é excepcional, Leandro Souza parece ter perdido sua titularidade.
Aos 31 do primeiro tempo, em bate e rebate na área a bola sobrou nos pés de Gustavo, que de primeira, sem ajeitar, bate firme na bola de perna esquerda, a bola levemente desvia em Jorge Felipe, e o goleiro tricolor sequer vê a cor da bola, chute mortal para carimbar o poder de fogo do garoto, que minutos antes, chutou uma bola na trave.
O CSA foi um time compacto, velocista e de muita qualidade com a posse da bola, comprovando a forma Ney da Matta de jogar: Velocidade com a posse de bola, um recuo sem a bola, contragolpe em velocidade, a não valorização excessiva da posse de bola, que culmina num ataque veloz e chegadas rápidas na área adversária, tendo a qualidade para fazer o placar e segurar o melhor ataque do grupo A, que no segundo tempo chegou a colocar bolas na trave, e no último lance do jogo, Mota conseguiu fazer uma grande defesa, defendendo inclusive os três pontos e a liderança do CSA.
O CSA foi a campo com: Mota; Dick, Thales, Jorge Fellipe e Rafinha; Dawhan, Boquita, Marcos Antônio e Daniel Costa (Caíque); Gustavinho (Didira) e Michel (Maxuell).
O Fortaleza foi a campo com: Marcelo Boeck; Felipe, Rodrigo Mancha, Ligger e Adalberto; Anderson Uchôa, Pablo, Adenílson (Jô) e Pedro Carmona (Leandro Lima); Hiago e Lúcio Flávio (Leandro Cearense).
Nota do blog a partida: 9,0 - Foi uma partida que gostei muito da solidez defensiva, mas do time coletivo no geral, peca apenas nas indefinições de ataque, mas aspecto esse que já melhorou bastante.
O melhor da partida: Jorge Felipe - Escolho o zagueiro, pelo fato dele ter reconquistado a confiança da torcida na zaga, que vinha insegura, tomou gols nos últimos quatro jogos. Poderia mencionar grandes nomes do CSA, pois o jogo coletivo foi muito bom, mas elegemos o zagueiro pelas vitórias no alto, pela entrega e por mostrar ao torcedor que zaga tem jeito, sim.
E AGORA?
Rafinha voltou a ser titular, não foi um de seus melhores jogos, ficou muito atrás da linha de ataque, mas fechou o espaço que Raul deixava no corredor esquerdo, dificilmente vejo Rafinha como banco nesse time, ousaria dizer que não seria impossível jogar com ambos os laterais, mas é preferível que não.
A zaga contou com a chegada de Jorge Felipe, que fez um belíssimo jogo, acredito que a dupla de zaga esteja definida. Já o meio de campo sofreu uma perda com a saída de Daniel Costa e entrada de Caíque, o meia não foi bem, em determinados momentos errou passes cruciais, não valorizou muito a posse de bola e mesmo tendo entrado na etapa final, não mostrou tanta disposição, acredito que Francisco Alex poderia ter contribuído mais.
Didira também entrou na etapa final e não foi de todo mal, criou situações e até chegou a finalizar, mas longe do Didira de 2016 ainda, com o ganho de oportunidades, deve retomar sua forma, mas como um meio campista não foi muito bem, perdeu bolas importantes e em alguns momentos não foi tão bem como esperávamos, mas tem muito crédito.
Já Maxuell me decepciona cada vez que entra, longe do Maxuell do Ferroviária, longe de ser um banco à altura do excelente Michel, ainda vemos no atacante a vontade, mas lhe falta a alma de centroavante, o porte físico, a técnica, vimos num dos últimos lances, o atacante ver a jogada pela lateral e não ir com velocidade para a àrea (setor original do centroavante), quando chega, recebe a bola em boas condições, mas sequer consegue o domínio, sozinho, se enrosca com a bola e a deixa escapar para fora. Mais uma vez o samurai não nos mostra nada.
Mas aqui destaco que o teste do CSA mostrou que tem um elenco forte sim, que ainda será reforçado por Daniel Angulo, o zagueiro Lobão e agora o meia Edinho, que tem um elenco comprometido com aquilo que quer e vai lutar com força pelo acesso, o que vi hoje foi um time que quer vencer. Diferente do que foi pintado para a torcida nos últimos dias.
O próximo jogo do CSA será contra o Salgueiro em pernambuco, jogo complicado, mas que o CSA tem tudo para sair com mais três pontos.

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