No início da semana escrevi que o CSA não iria a Belém para jogar retrancado, com medo do Leão do norte, mas ia para pontuar, não sabendo se pontuaria um ou três pontos. A promessa foi cumprida e o CSA trás para casa um ponto precioso e impede o Remo de subir no G4. Confesso que o time do Remo me decepcionou um pouco, esperava mais de um time de nome tão pesado como o Remo.
Talvez para muitos, um jogo equilibrado. Não vi um jogo tão equilibrado assim. O CSA foi a maior parte dos noventa minutos superior ao Remo. Vimos ontem algo totalmente diferente do que aconteceu no último jogo contra o Moto Club, onde o CSA não conseguia manter a bola no chão, tinha dificuldades nas trocas de passe, tinha dificuldades em segurar a bola do meio para frente. Dessa vez o CSA mantinha a bola ao chão, trocava bons passes e chegava a frente com qualidade.
O CSA jogava num 4-3-3, com Michel centralizado, Vanger pela direita e Marcos Antônio pela esquerda, como terminou o jogo em Maceió no último domingo, pelo poder ofensivo que o time tinha, nem sempre finalizando, mas pressionando.
O JOGO
Para se ter uma ideia de como o CSA foi à Belém, quem iniciou a primeira jogada de ataque foi o Azulão, com Michel finalizando para fora, o CSA não se acanhou em seu campo esperando o Remo, na verdade aconteceu exatamente o oposto, o Remo era quem parecia recuado, e o CSA parecia que jogava em casa. O Remo só conseguiu chutar à meta do CSA aos vinte e quatro do primeiro tempo, com Nino Guerreiro batendo cruzado e Mota fazendo uma linda defesa.
A partir desse momento o Remo cresce na partida e o CSA começa a errar alguns passes no meio de campo, nos pés de Eduardo Ramos saíam as melhores jogadas, o meia é sem dúvida o maestro da equipe nortista, e conseguiu dar mais qualidade aos passes do Remo, que até tentava, mas não chegava com eficiência. O lado esquerdo do CSA sofria, mas conseguiu se manter firme, com Raul tentando as decidas com a mesma intensidade,
Se do lado do Remo víamos Eduardo Ramos coordenando, no CSA Boquita assumiu essa função. Passes precisos, enfiadas, jogadas bem trabalhadas feitas pelo volante davam ao CSA oportunidades claras de gol, e o CSA não parava de desperdiçar oportunidades, uma atrás da outra, em certo momento Vanger corta dois marcadores e não define a jogada dentro da área, perdendo em sequência. O segundo tempo começa novamente com o CSA atacando, pressionando o Remo, Didira e Michel atacam e o CSA segue no ataque.
Já dizia Muricy Ramalho: ´´A bola pune.``, dito e feito. Cinco minutos depois, numa indefinição, um passe de Eduardo Ramos se livra de Dawhan no campo de ataque e encontra Jayme entre os dois zagueiros, Leandro não consegue acompanhar e na saída de Mota bate, o goleiro até estava na bola, mas ela quica no gramado e trai o goleiro, que vê ela morrer no fundo das redes. Cinco minutos depois mais uma vez o Remo aperta e Thales tira em cima da linha, o Remo parecia mais próximo do segundo por alguns momentos.
Isso mesmo, o primeiro ataque do Remo, num contra ataque, foi eficiente o suficiente para abrir o marcador, em uma única chegada à meta de Mota.
Mas o CSA recomeçou sua blitz, Francisco Alex (que devo dizer, um grande cobrador de escanteios, todos os escanteios batidos foram de muita qualidade e encontraram o alvo!) bateu um escanteio, inacreditavelmente, Leandro Souza perdeu um gol sem goleiro. Reflete a fase ruim do zagueiro azulino, que se lamentou. Novamente numa cobrança de escanteio, aos quarenta, Francisco Alex cobra e encontra Dick livre, que testa para fora, tirando demais do goleiro.
O Azulão não queria voltar para Maceió de mãos vazias, e em mais uma cobrança de escanteio, a zaga corta, mas a bola sobra com quem não poderia: Dawhan testa firme para dentro do gol, a preocupação dos zagueiros com os homens altos foi determinante: Dawhan, de uma estatura menor, subiu sozinho e testou para o fundo das redes, pelas grandes atuações do garoto, já merecia a muito tempo esse gol.
Aqui friso algo interessante: Ao entrar Maxuell, mesmo que não fizesse absolutamente nada, é uma preocupação para a zaga, que a todo momento o procura (por ser a referência), nessa busca, esqueceram o pequeno Dawhan, livre. Eis um bom motivo para se jogar com centroavante.
Aqui friso algo interessante: Ao entrar Maxuell, mesmo que não fizesse absolutamente nada, é uma preocupação para a zaga, que a todo momento o procura (por ser a referência), nessa busca, esqueceram o pequeno Dawhan, livre. Eis um bom motivo para se jogar com centroavante.
O CSA foi a campo com: Mota; Dick, Thales, Leandro Souza e Raul; Dawhan, Boquita, Didira (Francisco Alex), Vanger (Maxuell) e Marcos Antônio (Thiago Potiguar); Michel.
O Remo foi a campo com: Vinícius; Léo Rosa, Leandro Silva, Igor João e Gerson; Tsunami, Marcelo Labarthe e Eduardo Ramos (Flamel); Mikael, Edgar (Gabriel Lima) e Nino Guerreiro (Jayme).
Nota do Blog a partida: 8,5 pelo empenho, por não se entregar e por ir pra cima, mesmo como visitante. O 10 não vem pela quantidade absurda de desperdícios de ataques promissores.
O melhor da partida: Dawhan não fez sua melhor partida pelo CSA, mas jogou muito bem e mostrou muita personalidade, se primeiro gol profissional foi sob muita pressão e conseguiu transformar essa vontade em gol. Menção honrosa ao volante Boquita, que fez uma partidaça, jogando muito bem e suprindo a falta que o CSA tinha de um volante de qualidade verdadeira, vale mencionar!
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| Dawhan marcou para o CSA (foto: Alisson Frazão - Ascom CSA/ Oitcho) |
E AGORA?
O que vimos do CSA na noite de ontem foi um CSA determinado a encontrar o gol, um CSA que não se entregou, foi valente e buscou o empate. Muito me agrada a postura do técnico Ney da Matta de não recuar o time mesmo diante de grandes adversários. O Azulão foi pra cima, lutou, botou a bola no chão e se lançou ao ataque.
É preciso frisar que o CSA tem um problema grande: O baixo número de chutes a gol, e quando consegue chutar, a ineficiência dos chutes para balançar as redes. Tenho certeza que o técnico Ney da Matta já percebeu isso. Um atacante como Vanger por exemplo, não pode se indefinir dentro da pequena área, o desarme vem muito rápido.
Gostei muito das atuações dos laterais, Raul conseguiu descer com mais qualidade, mas ainda peca na marcação, o Remo achou bons espaços pelo lado esquerdo da defesa do CSA e insistiu ali por muitos momentos, mas conseguiu se sair bem. Dick colocou a lateral direita em seu bolso: Ataque e defesa bem unidos, Celsinho terá que jogar muita bola se quiser recuperar essa titularidade.
Leandro Souza vem numa sequência forte de jogos ruins, e talvez fosse bom para o atleta, para principalmente o ajudar a recuperar seu futebol, que este fosse para o banco e desse oportunidade para os zagueiros contratados, mas talvez o técnico Ney não compartilhe do mesmo pensamento. Leandro é um jogador que se doa, que sente, mas que vem numa fase muito irregular.
O azulão se impôs e conseguiu jogar muito bem, ficando barato o empate: Para mim, se houvesse justiça, o CSA saía de Belém com os três pontos, mas no futebol a justiça é bola na rede, e o CSA trás um ponto importante para casa, agora viverá uma sequência boa de jogos em casa e sexta já fará mais um contra o Confiança, o dever de casa é obrigação do azulão, e a torcida deve apoiar muito nessa boa fase do time. O CSA está no caminho certo!

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