Emoção do início ao fim. Muitos azulinos entraram no estádio Rei Pelé na tarde deste sábado sem muita euforia, esperando que o time mais uma vez não fizesse uma boa partida pela Copa do Nordeste, porém, o que viram no início dessa noite foi um CSA raçudo, com vontade, querendo a vitória, procurando o resultado.
O primeiro tempo foi de equilíbrio, mas prevalecia o CSA. O lado mais acionado era o direito, Celsinho ofensivamente fez um bom jogo, acionava muito Soares, mas hoje o dia não era do ex-artilheiro, que começou a irritar a torcida com inúmeros erros de passe e perdas de bola, produziu muito pouco em campo.
A primeira oportunidade do Azulão veio rápido, Dawhan chutou de longe e Juliano fez grande defesa. Aos 19' do primeiro tempo, Daniel Costa cobra escanteio, Jacó ajeita para Thales, que emenda um foguete de direita e por um milagre o goleiro Juliano salva o CRB de fatalmente tomar seu primeiro gol na partida. A fragilidade que estava Soares na noite desse sábado foi demonstrada na jogada seguinte, quando aos 22' Adriano perde a bola na saída do galo, Celsinho rouba a bola, toca para Soares, que não cruza, não chuta e perde a bola.
O CRB tentou responder com Elias, depois de uma falha do goleiro Mota, que saiu errado na bola, Elias tentou chutar, desajeitado, erra a bola e cai sozinho. Mota se recupera e consegue fazer uma grande defesa. Douglas Marques não atuou bem na primeira etapa, num recuo extremamente perigoso, Mota saiu com os pés e foi seguro na bola, quase cometendo a penalidade, mas conseguiu salvar o CSA de tomar o primeiro gol.
O segundo tempo começou e o CSA continuou martelando: Rayro chutou quando a defesa regatiana tirou e o goleiro Juliano mais uma vez salvava o jogo para o CRB, que tentava esfriar o jogo, o azulão permanecia martelando e o gol parecia ser questão de tempo. Thales salva o CSA na sequencia após entrada de Elias na área cabeceando tentando encobrir Mota.
34 minutos do segundo tempo, por mais que o CSA martelasse, parecia para a torcida que o jogo seria um amargo empate, indigesto. Everton Heleno cobrava falta que novamente Juliano defendia, e como cresce o goleiro regatiano em clássicos. O goleiro dificilmente faz partidas ruins em clássico, fechou o gol alvirrubro.
Foi então que a cobrança de escanteio veio, após a zaga afastar a bola, Thiago Potiguar, que substituiu Jacó, pegou a sobra próximo da meia-lua do gol, ajeitou com categoria e bateu no canto de Juliano, que viu a bola morrer no fundo das redes, o CSA bate o CRB, finalmente o torcedor volta a dar um largo sorriso.
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| Thiago Potiguar comemora com a torcida e ainda faz pose (Foto: Ailton Cruz / Gazeta de Alagoas) |
É importante ainda dizer que a maior batalha foi vencida no meio de campo, os volantes do CSA fizeram uma partidaça, parando o ponto forte do CRB: A linha de três composta por Mailson, Sérgio Mota e Danilo Pires. Dawhan, Marcos Antônio e Heleno dominaram o meio de campo, Celsinho sozinho não vencia Mailson, mas contava com Soares fazendo a recomposição para ajudar o lateral.
Dawhan de longe um pequeno comandante em campo, um menino de apenas vinte anos liderando o meio de campo com qualidade, parando ataques do CRB, e principalmente, na esmagadora maioria das vezes que roubava a bola, era com categoria, sem falta, na habilidade. Hoje se comprovou que a aquisição do ex-capitão da copinha pelo Corinthians foi um investimento certeiro, já vinha de boas atuações, mas essa sem dúvidas a melhor.
Marcos Antônio fez uma excelente partida, errava alguns passes, mas nada que de fato comprometesse. A linha dos três volantes do CSA liquidou a linha de três do CRB, composta por Mailson, Danilo Pires e Sérgio Mota, Mailson só tinha espaço jogando pelas laterais, inicialmente pela esquerda, depois, indo para a direita, não conseguiu exibir seu futebol.
Rayro jogou um pouco mais adiantado, e isso deu possibilidade ao lateral de conseguir chutar a gol e fazer bons cruzamentos, a mesma velocidade em que atacava, conseguia fazer a recomposição, o CSA parecia leve na transição, permitindo que os laterais fossem, mas que voltassem com a mesma qualidade, além de serem ajudados pelos pontas na recomposição rápida.
Jacó, que mais uma vez jogando pela ponta fez uma partida boa, mas longe do verdadeiro Jacó, com a presença de área, o centroavante Jacó, não deixou de fazer uma boa partida, mas talvez em sua posição de origem pudesse contribuir mais, foi individualista em algumas oportunidades. Novamente pelo centro da formação aparecia Soares, confundindo a maração, atraindo-a, voltando para fazer a recomposição, mas jogando mal na parte ofensiva, perdendo bolas fáceis e parando contra-ataques.
Daniel Costa manteve sua regularidade habitual, com bons passes curtos, longos, sempre com extrema qualidade e categoria. Regularidade define o meia.
Daniel Costa manteve sua regularidade habitual, com bons passes curtos, longos, sempre com extrema qualidade e categoria. Regularidade define o meia.
A zaga se mostrou segura na segunda etapa, mas Thales embora seja o reserva, mostrou que pode sim disputar a titularidade com o próprio Douglas Marques, que não vem bem em 2017 e pode vir a perder sua titularidade pelas boas partidas que Thales vem fazendo pelo Azulão.
Houveram hoje muitas evoluções no time, uma linha de volantes com extrema qualidade, um zagueiro reserva que se mostrou totalmente capaz de brigar pela titularidade, um decisivo Thiago Potiguar, que não entrou bem no jogo, mas foi decisivo (e essa é a diferença dos jogadores de clássico, que não sentem tanta pressão), houve uma evolução em Rayro, que não fazia uma boa temporada no início do ano.
Oliveira fez substituições ousadas, mesmo mal em campo, manteve Soares, apostou em Cleyton, Didira e Potiguar, taticamente mantendo Soares tanto como a referência, quanto para tentar fazer a recomposição do lado direito, onde Celsinho encontrava dificuldades para marcar Mailson.
Soares ainda terminou expulso no final do segundo tempo após lance polêmico, ao qual parece ter dado socos em Adriano, mas não influenciou no produto final, mas não irá jogar contra o ABC em Natal, desfalque que no sentido tático, poderá ser uma dor de cabeça ao professor Oliveira Canindé.
Mas o mais importante desse jogo foi a confiança que esse time agora acumula após essa vitória. O CSA não vinha de boas atuações, a pressão da torcida se fez muito presente e a vitória sobre seu maior rival tirou um grande peso das costas tanto de Oliveira Canindé, quanto do elenco marujo, uma boa vitória, vencida no meio de campo pelo CSA.
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| Dawhan é um dos jovens destaques do azulão (a dir.) (foto:Alisson Frazão/ Ascom CSA) |
Agora o CSA deve voltar seus olhos para o campeonato alagoano, seu próximo adversário é o Coruripe, a agora, inspirando confiança, Oliveira conseguirá trabalhar sem a pressão que acumulava durante os últimos resultados, sobrevive na copa do Nordeste, já que o ABC se torna o único eliminado da competição, o CSA poderá se classificar com um dos melhores segundos, a depender do resultado de outros jogos.
Nota do blog a partida : 9,0 (O torcedor quer ver um time que briga pela vitória, hoje o CSA mostrou que pode ser esse time, uma partida defensivamente muito bem e ofensivamente melhor ainda)
O melhor da partida: Dawhan dominou o meio de campo com desarmes precisos e um passe perfeito, lembrando de longe o volante que Jean Cléber era no CSA. Menção honrosa a Rayro, que volta a fazer uma boa partida e desequilibra a lateral.
O CSA foi a campo com: Mota, Celsinho, Thales, Douglas Marques, Rayro, Dawhan, Marcos Antônio, Everton Heleno, (Cleyton), Daniel Costa (Didira) Jacó (Thiago Potiguar) Luís Soares
O CRB foi a campo com: Juliano, Marcos Martins, Flávio Boaventura, Gabriel, Diego, Yuri, Adriano, Sérgio Mota (Chico), Danilo Pires, Mailson (Clebinho) Elias (Neto Baiano)


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