4-1-4-1: A formação surpresa que tornou Jean Cléber o homem que desequilibrava em 2016


 O sistema de jogo 4-2-3-1 é o esquema mais utilizado pelos técnicos da elite do futebol brasileiro, eficiente, o esquema pode ter inúmeras variações e consegue diante de muitos times no Brasil e fora, ter resultados positivos.

 Em 2016, logo no primeiro semestre, tínhamos um time que em sua forma natural se comportava num 4-2-3-1, com a linha natural de 4 homens: Leandro e Douglas, Rafinha e Choco, a linha de dois volantes: Panda e Jean Cléber, uma linha de três meias e/ou pontas: Bismarck, Soares e João Paulo Penha, e o homem referência: Rafael Oliveira, e na sua ausência, Denner. 

Eleito o craque do Alagoano 2016, Jean foi o jogador mais regular do CSA (foto: Ailton Cruz/ gazeta de Alagoas)
 Em sua forma natural, o CSA se comportava nessa forma, mas o perigoso sistema quando se desdobrava num outro, era mortal para os pequenos times do Alagoano: 4-1-4-1.

 O 4-1-4-1 de forma oficial no Brasil foi trazido por Vanderlei Luxemburgo, quando montou o Flamengo campeão de 1992, o sistema é uma referência de futebol mordeno, utilizado por técnicos de peso como Tite e Guardiola.  Há relatos que esse esquema já existia e era adotado por alguns treinadores, mas de forma oficial e verificada, Luxa foi o primeiro técnico a utilizar esta.

 A tática consiste em jogar com duas linhas de quatro jogadores, com um volante mais a frente da zaga e um atacante a frente. Ou seja, são quatro defensores (sendo dois zagueiros e dois laterais), um volante de ligação, dois meio-campistas centrais, dois meio-campistas laterais ou pontas e um atacante centro-avante. Vou explicar de modo que vejam na prática:

4-2-3-1 "Natural"

 A imagem acima ilustra como é a forma natual do esquema usado por Oliveira no primeiro semestre de 2016, esse jogo acima escalado seria o jogo do acesso à série D (CSA 2x1 Murici). Percebam que há a linha de quatro, a linha de dois formada por Jean e Panda, uma linha de três com dois homens mais abertos e um centralizado, e um centro-avante mais adiantado. 

 Essa variação se quebra quando Jean Cléber avança e se une a linha dos três à frente e desequilibra a marcação, que é sobrecarregada pela falta de encaixe, Jean sai da volância e se torna um meia, além de confundir a marcação, consegue se infiltrar pelo campo adversário, muitas vezes sem ser notado (como nesse mesmo jogo) veja a seguir: 


O 4-1-4-1 com Jean se unindo a linha dos 3 e formando uma de 4 (Gol saiu nessa posição)

 Para que esse esquema dê certo, o volante que fica (nesse jogo, Didira fez essa função pela lesão de Panda), tem que ter uma qualidade de boa marcação, se o time perde a bola no 4-1-4-1, toda a linha de 4 recua e volta ao esquema anterior em recomposição rápida, por isso o volante que sai tem que ter a disposição física de voltar com rapidez. 

 Esse esquema não foi utilizado só em 2016, em 2017 Oliveira já utilizou esse esquema, fazendo o mesmo acima com Everton Heleno, quando duelou contra o ABC e venceu por 3x0, com Heleno fazendo exatamente o mesmo que Jean fazia, saindo da volância, partindo como um meia e aparecendo como homem surpresa. Tanto para atacar quanto pra pifar ou mesmo pra confundir a marcação e outros atacarem de forma direta.


CSA X ABC no 4-2-3-1
 Contra o ABC Daniel Cruz não foi ponta, foi centralizado como centro-avante e o sistema funcionou de forma mais adequada, Heleno desequilibrava o jogo quando se unia aos meias, veja:

4-1-4-1 contra o ABC (Gol saiu nessa posição)
 Os dois gols saíram do momento em que os volantes desequilibram o jogo e aparecem sem marcação nenhuma como homens surpresa, tanto Jean quanto Heleno tem características parecidas, mas Jean é um volante mais completo, com um poder de marcação absurdo e uma intensa vontade, disposição física entre outros.

Heleno se torna "volante que sai" e substituto para a função de Jean ((Foto: Alisson Frazão /Ascom CSA)
 Terminamos mais um Estudos sobre futebol, muito obrigado pela paciência, mais uma vez peço que se errei em algum momento, por favor digam nos comentários, estamos todos passivos de erros, e não há nenhum problema em corrigir. Um grande abraço a todos.

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