Raio X de torcedor: Erros que gritam alto demais


 Precisei pensar muito, rever muito esse clássico pra conseguir extrair alguma coisa a se dizer dele. Não por ser um jogo difícil de se analisar, mas por ser muito ruim observar novamente as bizarrices que aconteciam dentro e fora do campo. Peço que leiam com calma, o texto é longo: 

 Começar um jogo com um apático Alex Henrique, que não conseguiu fazer uma partida boa, é no mínimo de se desanimar. 

O Azulão saiu  derrotado por 2x1 para seu maior rival (foto: Ailton Cruz/ Gazeta de Alagoas)
 O CSA começou bem, mas mostrou uma absurda fragilidade nas laterais, principalmente na lateral-direita. Mas a lateral esquerda também não estava grande coisa, Rayro sequer conseguia chutar a bola, não acerta um cruzamento. Mas o CRB achou seu caminho pelo lado direito.

 Mailson não precisou de muito para passar por Denilson, Diego também passava sem problemas, aos 9' do primeiro tempo, Diego cobrou escanteio, Gabriel apenas escorou e Danilo Pires em posição de impedimento chutou em cima de Jeferson, que não conseguiu defender.

 E sentiu. O irregular gol foi validado, o CSA sentiu demais, Cleyton não fazia nenhuma recomposição, não voltava para marcar, Daniel Cruz precisava voltar e deixava o campo de ataque. Didira não conseguiu acertar bons passes, Panda muito abaixo do normal, o gol havia pesado, o time já não conseguia se movimentar bem em campo. 

 Rafinha e Douglas Marques faziam muita falta.

 Panda leva um chapéu de Danilo, mostrando o quanto o CSA estava frágil e perdido, e aos 39', tomava o segundo gol, novamente pela inexistente lateral direita. O golpe era mais duro, as chances de empatar ficavam mais longe, o torcedor já via novamente seu pesadelo se tornar realidade, mais uma vez caía diante do rival. 

 Raiva. Frustração. Mais uma vez

 O intervalo foi marcado por mudança: Cleyton, apático, saía do campo, até para sair do campo Cleyton se arrastava, parecia estar ali por obrigação, não se via mais nem a sombra do artilheiro que foi em 2016. Thiago Potiguar entra. Dá nova vida ao jogo, agora conseguia agredir com força a defesa do CRB, fazia a recomposição rápida quando necessário e ligava contra-ataques mortais. 

 Ora! Um homem dos clássicos, acostumado com o clássico Potiguar, calmo e tranquilo, jogava bem e fácil, não sentia o peso do clássico. Potiguar não via dificuldade em passar pela lateral direita do CRB, passava como queria. Rápido e habilidoso.

 Potiguar foi o homem da partida, talvez se Clayton fosse seu banco desde o início, fosse diferente, enfim, Potiguar ligou um veloz contra-ataque, deixou os defensores para trás, e na saída errada do goleiro, o driblou, sem hesitar e rolou a bola para Alex Henrique, mesmo apático, só ter o trabalho de empurrar para o fundo do gol, que fez com ainda dificuldade. 

 Porém quando se espera que Oliveira vá consertar a absurda lateral direita com Celsinho, ou reconstruir o meio de campo com Geovani, ou até mesmo colocar Giancarlo como homem de área, substitui Everton Heleno. Estranho! Bizarro! Panda não fez uma boa partida, estava muito mal, e substitui Heleno, Marcos Antonio é um bom jogador e passa segurança, mas a substituição foi confusa, se alguém deveria ter saído da linha dos volantes, deveria ter sido Panda. 

 Novamente outra substituição, sai Daniel Cruz, apático, abaixo das últimas partidas, quando se pensa que Oliveira irá ou corrigir o meio, ou colocar um homem de área, vem Kelvin. Uma substituição esquisita. O CSA permanecia sem ataque, sem fogo, não havia nada ali que Kelvin pudesse contribuir, cruzava para ninguém e ao mesmo tempo não agredia a defesa do CRB. 

 Para mim uma coisa fica clara: Oliveira Canindé odeia o tradicional. Odeia jogar com Centroavante principalmente.

 Então perde para um técnico clássico, que não tem sequer metade de seus títulos, afinal o que há?

 O problema é que as vezes o tradicional é eficiente. O CRB usou o arroz com feijão de sempre, um homem de área brigador (Neto Baiano), meias rápidos, mas as principais jogadas eram pelos lados, a fragilidade do CSA, o simples venceu o sofisticado. Oliveira é um técnico inteligente, mas não tem jogadores qualificados para fazer o que ele quer. 

 Quando jogamos contra adversários mais fracos, Oliveira consegue adaptar esse futebol, pela fragilidade dos outros. Mas quando é um adversário jogando o simples, porém qualificado, o CSA é envolvido por aquilo e toma gols, como foi nas finais contra o CRB e contra o Volta Redonda em 2016.

 Oliveira é um técnico que tenta se modernizar, tenta jogar sem o clássico 9, sem centroavante. Prova sempre que não consegue, Alex Henrique não consegue fazer o que Oliveira quer. Daniel Cruz não consegue, Didira é o que mais se aproxima do que quer Oliveira Canindé, mas um jogador polivalente não consegue fazer a diferença, é difícil. 

 A minha humilde visão, como torcedor e (tentativa de ser estudioso) do futebol, é que Oliveira Canindé precisa urgentemente parar de tentar inovar, o CSA não pode ser uma área de testes, estamos ainda pisando em ovos, estamos tentando nos profissionalizar, temos que ter calma, e Oliveira está tentando se igualar aos técnicos europeus, porém conta com um problema sério: Não temos em Alagoas elenco para formações bizarras, jogar sem centroavante ou  sem meia armador ou algo que se aproxime disso.

 Perder um clássico é dolorido, ainda mais quando você sabe que no banco teria algo que pudesse sacar. Ver um problema como uma lateral direita totalmente aberta, quebrada, humilhada, e não poder dizer "corrige esse absurdo! olha aquilo, os caras tão passando como querem!". Desesperador.

 Porém, precisamos ter calma, o elenco é o mesmo que venceu o ABC, uma boa parte é o mesmo elenco que subiu à série C, e para conseguir os objetivos temos que corrigir erros, Oliveira Canindé deve modificar a postura do time contra o Sport, se o CSA quiser continuar de braços dados com sua torcida, precisa passar pelo Sport em casa. 

 A torcida sentiu um duro golpe, novamente se frustra e isso pode se tornar um problema, veremos nos próximos dias como as coisas irão caminhar. É certo que Oliveira deve fazer modificações no time titular contra o Sport.

 Ou pelo menos é isso que esperamos e desejamos. 

Nota do Blog a partida: 4,0 
O Melhor em campo: Thiago Potiguar

 O CSA foi a campo com: 
1 - Jeferson
2 - Denilson
3 - Leandro Souza
4 - Thales
6 - Rayro
5 - Panda
8 - Everton Heleno (Marcos Antonio)
19 - Didira
7 - Cleyton (Thiago Potiguar)
9 - Daniel Cruz (Kelvin)
10 - Alex Henrique

 O CRB foi a campo com: 
1 - Juliano
2 - Marcos Martins
3 - Flávio Baventura
4 - Gabriel
6 - Diego
5 - Adriano
7 - Yuri
8 - Danilo Pires (João Paulo)
10 - Sérgio Mota (Clebinho)
9 - Neto Baiano
11 - Mailson

 Gol do CSA: Alex Henrique (15' 2T)
 Gols do CRB: Danilo Pires (9' 1T) Sérgio Mota (39' 1T)

Comentários

  1. Disse tudo! Parabéns!!! Canindé tem que ter um plano B. Um esquema diferente desse tradicional dele, pra esse tipo de situação quando não dá certo em certos jogos.

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