Retrospectos: Conmebol, Quando o Brasil vestiu azul e branco.


 O CSA em 1999 estava voando alto, era tricampeão estadual (1996, 1997 e 1998), e estava chegando ao tetracampeonato, batendo o Miguelense (este que volta a disputar a elite alagoana em 2016), ao mesmo tempo, finalizando a copa do nordeste apenas três passos atrás dos considerados os reis desta copa, em primeiro lugar estava o Sport Recife, em segundo lugar vinha o Bahia, e em terceiro o Vitória, estando o azulão na quarta colocação da copa, ganhou a vaga na copa Conmebol, quando os três anteriores não participaram. Em contrapartida, a série C não foi boa, sendo o azulão eliminado da disputa rodadas antes.

 Oitavas de final: Vila Nova (2x2) 

 Para apagar a amarga eliminação da série C, o azulão iniciou a disputa das oitavas de final da copa contra o Vila Nova de forma positiva, com uma ressalva: Souza foi expulso no primeiro tempo, deixando o azulão com apenas 10 em campo, porém Missinho abriu o placar para o CSA, e Mazinho, que na época era lateral direito reserva, fechou o placar em 2x0 para o azulão. 
 A volta, foi avassaladora e o Vila Nova veio com tudo pra cima do CSA, e rapidamente devolveu o placar de 2x0, com Juninho e Reinaldo, e parecia que o azulão iria cair ali, porém, como um presente de Deus, um temporal cai no Serra Dourada, acabando com a qualidade de jogo, levando aos pênaltis, onde o CSA venceu o Vila Nova por 3x4.

 Quartas de final: Estudiantes (3x1)

 No estádio Guillermo Soto Rosa, na Venezuela, o marcador não saiu do 0x0, ambos os clubes lutaram, mas não conseguiram modificar o marcador, porém foi inútil, o azulão levava para Maceió a vantagem de decidir em casa. Na volta, o azulão não perdoou, Mimi abriu o placar de pênalti, porém, a bola bateu na mão de Márcio Pereira (zagueiro do CSA) dentro da área, e o Estudiantes teve um pênalti que não desperdiçou, 1x1 no marcador.
 Márcio Pereira se redimiu pelo pênalti dado aos Estudiantes e numa cobrança de falta, lançou uma bomba que teve endereço certo: 2x1 para o CSA, e numa ofensiva, partiu para o ataque, Mimi rolou a bola para Pereira, que mais uma vez marcava e cravava o placar final do jogo: 3x1 para o azulão do mutange.

 Semifinais: São Raimundo (2x2)

 As semifinais se iniciaram em Manaus, no estádio da Colina, o São Raimundo iniciou o jogo com muita pressão, o CSA aguentou até os 28 do segundo tempo, quando Marco Luiz abriu o marcador em 1x0 para o São Raimundo, exigindo que o CSA vencesse o São Raimundo por pelo menos dois gols de diferença. 
 Fábio Magrão iniciou o que seria a vitória do CSA, de cabeça, fez 1x0 para o azulão, porém, apenas oito minutinhos depois, Marcelo Araxá empatava o jogo, deixando todos os torcedores no trapichão aflitos, porém, em cobrança de falta, o goleiro deixou a bola escapar de suas mãos e na área se iniciou um bate rebate, até que o zagueiro Jivago aproveitou a sobre e mandou para o fundo das redes, possibilitando a disputa de pênaltis.
 Quando o goleiro Veloso pegou a cobrança de Haroldo, carimbou a classificação do CSA para a grande final da copa, nos pênaltis por 4x3, levando o trapichão à loucura.

A Grande Final (4x5)

Titulares do CSA contra o Talleres na final da Copa Conmebol de 1999. Levantados: Roberto Alves, Fábio Magrão,  Mazinho, Márcio Pereira, Jivago, Ivo Sech (preparador físico) e Veloso. Abaixados: Mimi, Leo, Bruno Alves, Missinho e Willams Bidé. (Foto: Museu dos Esportes de Alagoas)


 Quando o CSA chegou à final, não apenas Maceió vestiu azul e branco, mas todo o Brasil, quando Brasil e Argentina se encontravam numa grande final internacional, a única que chegava um time do nordeste, o CSA estava representando o Brasil. A noite era de Missinho, que depois de receber de Willams, fez o primeiro de calcanhar. Fábio Magrão de falta, ampliou, Aguilar devolveu um dos gols, diminuindo a diferença para os argentinos, porém Bruno Alves mandou cruzamento, escorado por Missinho, que ampliou para 3x1 para o azulão, e no segundo tempo, Missinho marcava mais um após toque para trás de mimi, e fazia 4x1 para o CSA, porém Astudillo lançou uma bomba aos 41 do segundo tempo, fechando o placar em 4x2.
 A finalíssima foi polêmica, dentro e fora dos gramados, o CSA não pôde fazer o reconhecimento do gramado em treinamento anterior à partida, nem sequer o aquecimento pôde ser feito antes da partida. Logo no comecinho da partida, foi marcada uma falta, Fábio Magrão foi questionar, e prontamente foi expulso. Veloso fechou o gol e fez defesas milagrosas, mas não conseguiu segurar o placar e o azulão perdeu por 3x0 com gols de  Ricardo Silva , Darío Alberto Gigena e Julián Edgardo Maidana. 

 Para parte da imprensa argentina (segundo Fábio Magrão em entrevistas), a arbitragem influenciou no resultado negativo, e sua expulsão foi desnecessária. Veloso também deu ume entrevista ao Globo esporte, onde cita que a derrota na final foi sua melhor partida, realizando defesas inimagináveis. 
 Único clube do nordeste a disputar uma final internacional, é o motivo de orgulho para os azulinos, alagoanos, nordestinos e brasileiros, que tiveram a oportunidade de conhecer o clube, que ficou conhecido internacionalmente, não apenas como o campeão de Alagoas, mas como um dos poucos a chegar tão longe. Feitos que dificilmente serão igualados por rivais ou conterrâneos, feitos únicos, do maior clube do estado, o único que fez o Nordeste, ser representado numa final internacional. 


Fontes de pesquisa: Futpédia, Globoesporte, Jogosdocsa, Bolanaárea.

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