O CSA pelo mundo: Peu, o ídolo de duas nações.

O Menino e Jogador

  Há no CT Gustavo Paiva, figura que muitos dos novos torcedores, deveriam apreciar mais, alguém que tem em seu currículo, um acervo impressionante, Júlio dos Santos Ângelo é o seu nome, não soa familiar? E que tal Peu? Sim, Peu… Aquele mesmo. Peu nasceu em Maceió, seu pai, seu Antônio, era uma espécie de faz tudo do clube, de segurança, até roupeiro, e sua mãe, era lavadeira, o envolvimento de Peu com o CSA, já vinha desde sua infância.


(1973 - Peu é o 1º agachado a esquerda, nessa época, Mascote/imagem:http://www.capelense.com.br/campeonato-alagoano-de-futebol-de-1971.htm)
  Envolvido com o CSA desde jovem, Peu sempre estava com os pais pelo Mutange, onde além de ajudar sua mãe, começou a ajudar o clube como gandula, mascote, auxiliar de roupeiro, entre outros, mas seu talento começou a ser reconhecido ainda jovem, e aos 15 anos, iniciou sua atuação nas categorias de base do Azulão. Na base, Peu se destacou e iniciava então uma promessa: Um novo ídolo estava nascendo.

   Ainda se destacaram outros garotos, irmãos de Peu, estes eram Chico, e os pontas Jorge Siri e Manoelzinho Carangueijo, estes dois últimos vestiram a camisa do CRB, motivo de aborrecimento para seus pais, azulinos de coração.  Peu aos 17 anos, subiu da base para a equipe principal, depois de ser campeão de praticamente tudo. Aos 20, o meia já era reconhecido por um talento raro, era veloz, capaz de chegar no ataque rapidamente, tinha uma destra forte e era o terror dos adversários. Em 1980, seu irmão Jorge Siri perdeu a oportunidade de abrir o marcador no clássico, de pênalti, desperdiçando, logo depois, Peu o redimiu e fez um gol após chute forte. No mesmo ano, foi campeão alagoano pelo azulão, e para loucura dos torcedores, foi vice-campeão brasileiro da taça de prata no ano seguinte, o que chamou bastante atenção dos dirigentes.

(CSA campeão alagoano 1980/ Museu dos esportes)
  Logo chegaria uma proposta do Flamengo, que observava de perto atletas do CSA na época, tendo levado inclusive anos antes, o que viria a ser um grande ídolo: Dida. Seu pai, antônio sempre lhe falava de como era fascinado por Dida, e plantou o sonho em Peu: jogar pelo Flamengo de Dida, o sonho de seu pai estava prestes a se concretizar.
1982, o flamengo fez uma proposta oficial, o presidente na época, João Lyra, analisou a proposta, e a mãe de Peu, dona Maria, ciente da oportunidade de ouro, foi até o presidente, e lhe pediu pessoalmente que o vendesse, João Lyra o fez, e Peu partiu para a Gávea, com o carinho pelo CSA na mala. Chegou ao Flamengo quando Zico estava defendendo o Brasil pelas eliminatórias de 82, portanto, era sua responsabilidade substituir o craque naquele momento.
  Estreou com vitória, fez bonito, porém, Zico voltou e Peu foi para o banco, mas, ainda assim, era considerado um reserva de luxo, uma opção de ataque com qualidades incontestáveis. Peu era brincalhão, sorridente, e todo o Flamengo, brincava com ele:


Durante a viagem de avião entre EUA e Japão, lugar onde seria decidido o mundial, Zico e Júnior resolveram fazer uma brincadeira: Alertaram Peu que em sua foto no passaporte, ele estaria sem bigode, portanto, se descesse em solo japonês daquela forma, seria mandado de volta para o Brasil, pois este não estaria numa lista, com jogadores com bigode, Peu ficou apavorado pela possibilidade, alguns minutos depois, após combinar com os jogadores, o comandante falou no alto-falante:

“Jogador Peu, se dirija à cabine de comando, onde poderá pegar creme e barbeador para retirar o bigode”

Ao sair, do toalete, sem o bigode, se deparou com seus companheiros rindo, e logo entendeu a brincadeira, e caiu na mesma gargalhada. Peu era conhecido por ser incondicionalmente e extremamente alegre.¹


( Peu no flamengo: Em pé: Marinho, Luiz Pereira, Raul, Leandro, Andrade e Carlos Alberto.Agachados: Fumanchú, Adilio, Nunes, Peu e Carlos Henrique./imagem:peusantos.blogspor.com)

   Peu chegou ao Flamengo de 1982, conhecido como o Flamengo de Ouro, a era mais bela do rubro-negro, quando conquistou a Taça Guanabara (81,82,83), o Campeonato Carioca (81), a Taça Libertadores (81) e o Mundial interclubes (81), além do campeonato brasileiro (82). Realizado ali, sofreu no final de 1982 uma lesão, a qual lhe afastou dos gramados por um tempo, saiu de campo aos prantos, e disse ao jornal, que era o melhor dia de sua vida, embora pela tristeza, porque marcava dois gols que levariam o flamengo à final:

(O Placar 1982)
  Em 1983, foi peça de troca numa negociação com o Atlético-PR, que no mesmo ano, chegou até as semifinais do campeonato brasileiro, ironicamente, eliminado pelo Flamengo.
Voltou ao flamengo no mesmo ano, quando Zico saiu, mas não se manteve, a instabilidade da equipe na época, não permitia destaque, então vestiu as cores do Santa Cruz – PE, sagrando-se campeão pernambucano daquele ano (1983). Teve passagem curta pelo Nacional – AM, até chegar no Botafogo de Ribeirão preto, onde ficou quatro temporadas, sendo titular nesta equipe durante sua passagem.
  Foi ao México, onde atuou pelo Monterrey, sagrando-se campeão mexicano de 1986, e em 1990, foi contratado pelo cruzeiro, sendo campeão mineiro desse ano, voltou ao futebol Alagoano, e em 1991 e 1994, conquistou novamente o campeonato alagoano, pendurando as chuteiras em casa, Peu terminou sua carreira como jogador onde começou: Na sua casa, no seu mutange, no seu azulão, no seu CSA.


O Treinador


   Peu pendurou as chuteiras, mas seu amor pelo futebol continuava, iniciou sua carreira de treinador, sendo técnico de diversos clubes alagoanos: Dínamo, Corinthians – AL, além de clubes de outros estados como Rio Preto – RO (Sendo campeão estadual em 2001), Itacuruba-PE, onde foi eleito pela globo nordeste como treinador revelação, Serrano – PE, Vera Cruz – PE, Picos – PI (Campeão da segunda divisão 2007, levando o time à primeira), Vitória das Tabocas-PE (Campeão invicto da segunda divisão 2008), e Porto- PE.
   Atualmente, Peu está em sua casa, o CSA, comandando os garotos do sub-17, fazendo uma bela campanha, caindo nas semifinais.
Peu é uma figura icônica no Mutange, e merece respeito e admiração de todos os azulinos pelas suas grandes conquistas, assim como pelo seu carinho com o clube marujo, ao qual em várias das suas entrevistas, repete que esta é a sua casa, sempre que podia, ia ao Mutange, recebia homenagens e falava de suas conquistas, entre muitos azulinos, Peu conseguiu ser grande, e até hoje o é, o feliz, o grande, o bom Peu.


Sugestão por: Tyrone Alves.



Referências:

¹https://blogdopaulinho.com.br/2016/01/22/o-bom-alagoano-peu/
http://peusantos.blogspot.com.br/p/carreira-de-treinador.html

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